Violência Policial

Tragédia em SP: PM mata jovem com tiro na cabeça por engano

Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, foi morto quando saía do trabalho em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo

Fábio Anderson Pereira de Almeida, foi preso por homicídio culposo, mas liberado após pagamento de fiança - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 08/07/2025, às 08h00

Um incidente trágico envolvendo um policial militar de 35 anos resultou na morte de um jovem marceneiro, de 26 anos, na noite da última sexta-feira (4), em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo. O agente Fábio Anderson Pereira de Almeida, pertencente ao 12° Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, foi afastado das funções operacionais após o ocorrido.

Ele foi preso em flagrante por homicídio culposo, mas liberado após o pagamento de fiança. A vítima, Guilherme Dias Santos Ferreira, retornava do trabalho para casa quando foi atingida por um disparo acidental, durante a reação do policial a uma tentativa de assalto.

O caso aconteceu quando Guilherme se aproximava de um ponto de ônibus. Em sua mochila, carregava pertences como um livro e sua marmita. A esposa, Sthephanie dos Santos Ferreira Dias, manifestou revolta, afirmando que o marido foi morto “a sangue-frio” e denunciou o que considerou uma motivação racial.

“Só porque é um jovem negro, preto e estava correndo para pegar o ônibus, [ele] atirou. O que é isso? Que mundo é esse?”, afirmou a viúva.

De acordo com o boletim de ocorrência, o PM relatou ter sido abordado por suspeitos armados enquanto pilotava sua motocicleta. No meio da confusão, ao disparar contra os supostos assaltantes, atingiu Guilherme, que morreu no local.

O jovem trabalhava em uma fábrica de camas e baús e havia retornado de férias dois dias antes. A família informou que ele fazia o mesmo trajeto diariamente. Pouco antes do ocorrido, Guilherme enviou uma mensagem à esposa dizendo que já estava a caminho de casa.

Testemunhas afirmaram que ele saiu da empresa às 22h28, e o disparo foi ouvido cerca de sete minutos depois. Imagens do ponto eletrônico confirmaram a informação, assim como uma foto postada por Guilherme em seu status no WhatsApp mostrando o horário de saída.

Segundo familiares, Guilherme era um homem trabalhador, religioso e dedicado à família. Ele e a esposa sonhavam em ter filhos, reformar a casa e fazer uma viagem para comemorar dois anos de casamento.

A investigação inicial da Polícia Civil indica que Guilherme não tinha ligação com os criminosos e que sua aproximação ao ponto de ônibus não representava ameaça. Um laudo preliminar sugere que o PM pode ter cometido um erro perceptivo diante da tensão da situação.

O caso segue em investigação, com apoio da perícia para análise das evidências. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) emitiu nota informando sobre o andamento do processo e as providências adotadas em relação ao policial.

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