Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, foi morto com um tiro disparado por um policial militar no Hotel Flor da Vila Mariana
William Oliveira Publicado em 22/11/2024, às 08h00
Na madrugada da última quarta-feira (20), um trágico incidente envolvendo a Polícia Militar resultou na morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, durante uma abordagem no Hotel Flor da Vila Mariana, localizado na zona sul de São Paulo. O caso gerou grande repercussão e levantou questionamentos sobre o uso da força policial.
Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento capturaram a sequência dos eventos. Nas gravações, Marco Aurélio é visto entrando no hotel sem camisa, seguido pelo soldado Guilherme Augusto, que o segura pelo braço com uma arma em mãos. O estudante consegue se soltar, mas é atingido por um chute do soldado Bruno Carvalho do Prado. Ao segurar a perna do policial, que cai para trás desequilibrado, Marco Aurélio é alvejado por um disparo efetuado por Augusto.
O boletim de ocorrência elaborado pelos policiais relata que o estudante estava "alterado e agressivo" e teria resistido à abordagem. Ainda segundo o documento, Marco Aurélio teria tentado tomar a arma do soldado Prado, justificando assim o disparo. No entanto, as imagens não corroboram essa versão dos fatos.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, antes do incidente no hotel, o estudante teria danificado uma viatura policial e tentado fugir. Os policiais envolvidos foram indiciados e estão afastados das atividades operacionais enquanto a investigação conduzida pela Polícia Militar e Civil prossegue. A SSP também anunciou que as imagens das câmeras corporais dos policiais serão anexadas ao inquérito, apesar de inicialmente constarem como desligadas no B.O.
Testemunha chave no caso, Gabriele Mantey Caetano Elias afirmou ter se encontrado com Marco Aurélio momentos antes do incidente para discutir uma dívida. Ela descreveu uma altercação no quarto do hotel que culminou em sua saída às pressas para chamar socorro. De acordo com seu relato, ela avistou Marco Aurélio sendo cercado pelos policiais pouco antes de ouvir o disparo fatal.
O falecimento de Marco Aurélio gerou comoção entre amigos e familiares. Em nota, a Faculdade Anhembi Morumbi lamentou a perda do aluno do curso de medicina, enquanto colegas do time de futebol da universidade expressaram solidariedade nas redes sociais.
O pai de Marco Aurélio, Julio César Acosta Navarro, criticou duramente a atuação policial ao relatar a falta de assistência quando chegou ao local dos acontecimentos. Ele descreveu o tratamento recebido como desumano e insensível durante a busca por informações sobre seu filho.
"Por que fez? Por que parecia pobre? Por que parecia estrangeiro? A maldade, a crueldade e a covardia desses caras. Não davam informação, como cúmplices. Os superiores dos superiores e chefes que até agora, sabendo de tudo isso, não fizeram nada, eu não sei o que estão esperando", desabafou.