Governador busca equilibrar imagem de força com necessidade de reformas na corporação
Marina Milani Publicado em 12/12/2024, às 07h54
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu manter, por ora, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Cássio Araújo, mesmo em meio à intensa pressão gerada por episódios recentes de violência policial. Apesar disso, fontes próximas ao governo indicam que uma troca no comando não está descartada e pode ser efetivada após o período de festas, em janeiro de 2025.
A permanência de Cássio é vista como uma estratégia para evitar que a mudança seja interpretada como um sinal de fraqueza, tanto por adversários políticos quanto pelo crime organizado. No entanto, os últimos meses têm sido marcados por crises internas e questionamentos sobre a atuação da Polícia Militar sob sua gestão.
A manutenção de Cássio ocorre em um contexto de grave desgaste para a Polícia Militar paulista. Entre os casos que mais repercutiram estão:
Esses episódios, além de expor a corporação, trouxeram à tona questionamentos sobre falta de treinamento, supervisão e procedimentos.
Nos bastidores, a possibilidade de substituição do comandante-geral é discutida como parte de uma estratégia para recuperar a confiança pública. Um dos nomes ventilados para assumir o posto é o coronel Pedro Luís Lopes, atual chefe do Setor de Inteligência (CI) da corporação, que tem forte ligação com o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite.
Pedro Luís é visto como uma opção para implementar reformas e mitigar o desgaste na imagem da PM, mantendo o alinhamento com as políticas de Derrite, que também enfrenta pressão por resultados.
Em recente entrevista coletiva, Tarcísio de Freitas destacou a necessidade de aprimorar o treinamento e os procedimentos da Polícia Militar. “Quando a gente começa a ver reiterados descumprimentos desses procedimentos, a gente vê que há de fato transgressão disciplinar, falta de treinamento. São coisas que chocam todo mundo, chocam a gente também”, afirmou.
O governador também mencionou a incorporação de novos equipamentos, como as câmeras corporais adquiridas pela corporação, e a comparação de práticas com outras polícias ao redor do mundo.
Especialistas em segurança pública destacam que a crise enfrentada pela PM reflete problemas estruturais e culturais que exigem soluções de longo prazo. Para eles, a simples troca de comando pode não ser suficiente para solucionar as questões que envolvem treinamento, supervisão e accountability dentro da corporação.