DENÚNCIA

Suspeito de arrastar ex na Marginal Tietê diz ter sido torturado pela polícia

Douglas Alves da Silva, suspeito de arrastar sua ex-companheira Tainara Souza Santos na Marginal Tietê, em São Paulo, acusou policiais de tortura após sua prisão

Douglas Alves da Silva, 26, ao chegar na delegacia - Imagem: Reprodução / Uesley Durães / UOL

William Oliveira Publicado em 03/12/2025, às 07h36

Douglas Alves da Silva, preso sob a acusação de atropelar e arrastar sua ex-companheira na Marginal Tietê, na zona norte de São Paulo, afirmou ter sido vítima de agressões e possível tortura por parte de policiais durante sua detenção, ocorrida no último domingo (30).

A vítima, Tainara Souza Santos, permanece internada após sofrer a amputação das duas pernas, consequência do atropelamento registrado na manhã de sábado (29). Segundo boletim médico, ela está em estado estável e não corre risco de morte.

Douglas foi localizado e preso em um hotel na zona leste da capital paulista, onde se escondeu após o crime. Durante a abordagem, ele teria tentado agredir um policial para tomar sua arma, sendo baleado no braço esquerdo. Depois, foi encaminhado ao Hospital Municipal Vila Alpina para atendimento e, posteriormente, levado à delegacia.

Entretanto, a defesa do acusado sustenta que ele não recebeu o atendimento médico adequado, permanecendo com uma ferida aberta e exposto a risco de infecção devido às condições insalubres da prisão. Advogados afirmam ainda que Douglas não recebeu analgésicos desde sua apresentação em audiência, ocasião em que teria sido visto sangrando.

Diante das denúncias, o juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner determinou que a Corregedoria da Polícia Civil investigue as alegações de violência praticada por agentes durante a custódia do suspeito.

O caso

O atropelamento foi registrado por câmeras de segurança, que mostram Tainara caminhando com um amigo quando é atingida pelo carro conduzido por Douglas. A vítima segue internada na UTI, e os representantes legais da família reforçam que seu quadro é estável.

Em depoimento, Douglas disse estar arrependido e negou conhecer Tainara. Alegou ter ido a um bar na noite anterior e se envolvido em uma briga ao defender um amigo. Segundo ele, não percebeu que havia atropelado a jovem até que a situação se agravou.

A versão do acusado, porém, foi contestada pela Polícia Civil. Investigações apontam que Douglas conhecia a vítima e teria agido motivado por ciúmes após o fim do relacionamento. Testemunhas relatam que Kauan, amigo do suspeito, tentou fazê-lo parar o veículo enquanto Tainara era arrastada pela via.

A irmã da vítima declarou que Douglas perseguia Tainara havia algum tempo e que o relacionamento entre eles nunca foi formalizado. Após o crime, o acusado teria informado parentes sobre o ocorrido e, com orientação jurídica, escondeu o veículo longe do local do atropelamento.

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