Cantareira no limite

Sabesp recebe autorização para captar mais água do Rio Paraíba do Sul e reforçar o Sistema Cantareira

Medida temporária aprovada pela ANA e órgãos de três estados busca garantir abastecimento da Grande São Paulo diante da estiagem; reservatório opera com menos de 40% da capacidade

Com a nova autorização, volume transferido ao Cantareira pode chegar a 268,28 hm³, garantindo abastecimento para 10 milhões - Imagem: Reprodução/Nilton Cardin/Estadão Conteúdo

Letícia Sales Publicado em 30/06/2026, às 13h18

O Sistema Cantareira, principal manancial da Grande São Paulo e responsável pelo abastecimento de cerca de 10 milhões de pessoas, vai receber um reforço extra de água. A Sabesp foi autorizada a ampliar a captação do Rio Paraíba do Sul — bacia que abastece o estado do Rio de Janeiro — para elevar os níveis do reservatório, que opera atualmente na chamada "faixa de atenção", com apenas 39,9% da capacidade.

A autorização, de caráter temporário e excepcional, foi aprovada na última segunda-feira (22) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em conjunto com órgãos de gestão hídrica de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A medida foi adotada diante da persistência da estiagem e do risco de o Cantareira escorregar para a faixa de alerta, que seria acionada caso o nível caísse abaixo dos 40% — o que reduziria automaticamente a vazão permitida para captação de 31 m³/s para 27 m³/s.

Mais água no cano

Com a decisão, o volume máximo anual que poderá ser transferido do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, no Sistema Paraíba do Sul, para o reservatório Atibainha, integrante do Cantareira, saltará dos atuais 162 hectômetros cúbicos para até 268,28 hm³ em 2026 — sendo que cada hm³ equivale a 1 bilhão de litros. A autorização vale até 31 de dezembro deste ano.

A medida atende um pedido da própria Sabesp e contou com apoio dos comitês das bacias hidrográficas de Paraíba do Sul, Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e Alto Tietê. O Sistema Integrado Metropolitano, que reúne sete represas, opera atualmente em 52,5% — nível mais confortável, mas que também exige atenção diante do quadro climático.

Quando a torneira fecha

A autorização não é irrevogável. O aumento da transferência poderá ser suspenso automaticamente caso o Cantareira volte a operar acima de 60% do volume útil ou se a Sabesp retomar a captação sem restrições dentro da vazão média mensal permitida. A companhia também deverá adotar medidas para minimizar eventuais impactos nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas de Jaguari, Santa Branca, Paraibuna e Funil.

Em nota, a Sabesp afirmou que "a autorização está prevista nas regras de operação do Sistema Cantareira e integra os mecanismos de gestão definidos pela outorga vigente." A empresa disse ainda que a medida faz parte de uma estratégia maior para ampliar a segurança hídrica da região metropolitana e anunciou investimentos de R$ 7,8 bilhões até 2030 em ações de resiliência, incluindo modernização de instalações, ampliação da capacidade de tratamento e novas interligações entre mananciais.

A companhia garantiu que acompanha continuamente os níveis dos reservatórios, as vazões e as condições climáticas para ajustar a operação dos sistemas, e sustentou que as projeções para 2026 indicam segurança no abastecimento mesmo em diferentes cenários hidrológicos.

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