Educação profissional

Proposta de reforma no ensino técnico: Haddad quer espelhar Etecs e Fatecs no modelo federal

Em visita ao IFSP, pré-candidato ao governo paulista critica infraestrutura atual e defende expansão do ensino noturno para jovens trabalhadores

O pré-candidato sugere que o eleitorado se baseie em dados para decisões políticas, ressaltando a importância do bem-estar social - Imagem: Reprodução/TV Globo

Letícia Sales Publicado em 29/06/2026, às 13h01

O ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou que pretende utilizar o modelo dos institutos federais como o grande pilar para reestruturar as Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e as Faculdades de Tecnologia (Fatecs). A declaração ocorreu durante uma agenda oficial no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), espaço que o político escolheu para tensionar o debate sobre a atual gestão da educação pública no estado.

Haddad classificou o crescimento da rede federal no interior de São Paulo como uma "pequena revolução", destacando que a região saltou de apenas três para 57 unidades ativas, atendendo hoje mais de 70 mil estudantes. Para o pré-candidato, esse ecossistema precisa ser replicado na rede estadual, que, segundo sua avaliação, sofre com o abandono estrutural.

"Eu quero fazer do padrão do Instituto Federal uma espécie de referência para a reforma que eu pretendo fazer das Etecs de São Paulo. Acho que nós estamos com Etecs com uma infraestrutura precária e nós queremos dar às Etecs e Fatecs o mesmo padrão de excelência que nós temos no Instituto Federal", afirmou Haddad.

Na visão do ex-ministro, o avanço do ensino profissionalizante paulista perdeu o fôlego nos últimos anos. Ele alertou que a comunidade escolar já projeta um desempenho insatisfatório nos próximos indicadores nacionais de educação. Outro ponto crítico tocado pelo pré-candidato foi o formato da expansão do ensino em tempo integral sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal oponente na corrida de outubro. Haddad apontou que a falta de turmas no período da noite tem excluído uma parcela significativa de jovens que precisam conciliar os estudos com o mercado de trabalho.

"Tem muito aluno reclamando da falta de oportunidade de estudar por conta da ausência de cursos noturnos. Uma parcela da população que trabalha o dia inteiro. A gente está vendo que a educação de São Paulo está perdendo o ímpeto. Nós que já figuramos entre os primeiros colocados na qualidade do ensino médio estamos ficando pra trás", criticou.

Dados e embate de narrativas

A estratégia desenhada pela campanha de Haddad para os próximos meses passará, obrigatoriamente, pelo confronto direto de dados socioeconômicos. O plano é municiar o eleitor com diagnósticos oficiais para contrapor o que ele chama de "propaganda" do atual governo, resgatando paralelos históricos para ilustrar o atual cenário do estado.

"A nossa força é a força da verdade e dos fatos. Nós vamos trabalhar com os dados oficiais, mostrando que São Paulo não esteve numa situação crítica como hoje desde o governo Fleury [1991-1995]. Nós não estamos andando devagar, nós estamos andando pra trás. Então o nosso objetivo é levar a melhor informação pro cidadão saber o que está acontecendo, porque hoje tem muita propaganda"

A mesma lógica estatística foi defendida por ele ao analisar o xadrez da corrida presidencial. Prevendo uma disputa acirrada e de margens estreitas, Haddad sugeriu que o termômetro do eleitor deve ser o bolso e o bem-estar social, posicionando o período pré-Bolsonaro como um referencial técnico de sucesso econômico.

"Na minha opinião a gente tem que tentar fazer com que o eleitorado brasileiro se baseie em dados pra tomar uma decisão sobre o destino do país. Não tem um único dado da economia brasileira que não seja muito melhor hoje do que no governo dos Bolsonaro", concluiu.

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