Portinari e Matisse: obras furtadas em SP são registradas em sistema de alerta de museus

Gravuras entram no banco de obras desaparecidas, identificado como a “Interpol dos museus”, para agilizar rastreamento e impedir exportação ilegal

O furto ocorreu no último dia da exposição 'Do Livro Ao Museu', e as autoridades estão em busca dos responsáveis pela ação - Imagem: Reprodução/MAM

Gabriela Nogueira Publicado em 10/12/2025, às 14h53

Treze obras de Candido Portinari e Henri Matisse desapareceram da Biblioteca Mário de Andrade no domingo (7), desencadeando uma operação nacional e internacional para tentar recuperar o conjunto furtado. As peças já foram incluídas no Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos, mantido pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), ferramenta que funciona como um registro global de alerta para obras roubadas.

O cadastro reúne imagens, descrições e dimensões das peças, informações que auxiliam a Receita Federal e a Polícia Federal em fiscalizações em portos, aeroportos e fronteiras. Com isso, o governo tenta impedir que o material seja levado para fora do país.

O furto ocorreu no último dia da mostra “Do Livro Ao Museu”, que reunia obras dos acervos do Museu de Arte Moderna de São Paulo e da própria biblioteca. Entre os itens subtraídos estão oito gravuras da série “Jazz”, de Matisse, e cinco da série “Menino de Engenho”, de Portinari.

As peças de Matisse desaparecidas são “The Clown”, “The Circus”, “Monsieur Loyal”, “The Nightmare of the White Elephant”, “The Codomas”, “The Swimmer in the Tank”, “The Sword Swallower” e “The Cowboy”. As gravuras de Portinari furtadas incluem “Homem a Cavalo com Menino na Garupa”, “Mestiço Preso em Tronco”, “Homem Morto”, “Queimada no Canavial” e “Mulher Morta”.

Especialistas estimam que cada obra de Portinari possa alcançar cerca de R$ 40 mil no mercado. No caso de Matisse, o conjunto completo da série Jazz – formado por 20 gravuras – já foi cotado em aproximadamente US$ 1 milhão. Por ser uma edição especial de apenas 250 exemplares, manuscrita pelo artista, a venda individualizada é considerada improvável e facilmente rastreável.

A Prefeitura de São Paulo anunciou que acionou a Interpol por meio da Polícia Federal para impedir que o material circule internacionalmente. A organização mantém um banco global de obras roubadas e um aplicativo utilizado por autoridades e museus no mundo todo para consultas em tempo real.

O caso também foi comunicado ao IBRAM, ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e à Associação de Galerias de Artes do Brasil. As obras estavam seguradas e a biblioteca já passou por perícia.

A Polícia Civil identificou dois suspeitos a partir de imagens do sistema de monitoramento SmartSampa. As gravações mostram uma van estacionada nas proximidades da Avenida Nove de Julho, utilizada pelos ladrões antes da fuga. Segundo investigadores, a ação pareceu amadora, já que apenas parte das obras foi levada e os autores deixaram o local a pé.

Diligências seguem sendo realizadas pela 1ª Central Especializada em Repressão a Crimes Diversos. O caso está registrado no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, e permanece sob investigação.

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