Um menor na França é identificado como financiador de ataques coordenados em grupos do Discord, segundo investigações da polícia
William Oliveira Publicado em 03/07/2025, às 10h19
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deu continuidade, nesta quinta-feira (3), à Operação Nix, que investiga redes criminosas envolvidas em ataques a pessoas em situação de rua e animais abandonados, ações que estariam sendo organizadas por meio de plataformas digitais, especialmente o Discord.
As investigações tiveram início em novembro com a criação do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), uma força-tarefa dedicada a mapear e combater crimes ocorridos no ambiente virtual.
Financiamento internacional e atuação em rede
Entre os alvos da investigação, destaca-se um menor de idade residente na França, identificado como um dos principais financiadores das ações criminosas. Segundo a polícia, o jovem utiliza sua condição financeira para custear ataques coordenados em grupos restritos na plataforma Discord, operando em total anonimato.
Após cerca de oito meses de apuração, o Noad constatou que os grupos criminosos se reorganizam de forma recorrente em subgrupos virtuais, conhecidos como "panelas", o que exige monitoramento constante por parte das autoridades.
“A operação Nix corrobora a necessidade de investigações contínuas dada a transnacionalidade do crime tanto em relação aos autores como às vítimas”, afirmou a delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do núcleo.
Ela também alertou para a vulnerabilidade de jovens no ambiente digital: “São ações extremamente absurdas que, muitas das vezes, os pais não têm ideia que ou o filho é o idealizador dessa violência, manipulando as vítimas a realizarem os ataques, ou o filho é a própria vítima.”
Origem e expansão da Operação Nix
O nome da operação remete à mitologia grega: Nix, mãe da deusa Nêmesis, símbolo da justiça retributiva. A escolha se deu após um dos membros das comunidades virtuais criminosas utilizar esse codinome nas redes.
Na primeira fase da operação, foram cumpridos dez mandados de busca e duas prisões temporárias, autorizadas judicialmente. A ação se estendeu além do estado de São Paulo, com operações em Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e no Distrito Federal.