Dois postos em São Bernardo do Campo e Santo André são alvos de fiscalização por comercializarem etanol com metanol
Gabriela Thier Publicado em 17/10/2025, às 17h25
Nesta sexta-feira (17), a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação que resultou na identificação de dois postos de combustíveis suspeitos de comercializar etanol adulterado com metanol. Este material tem sido associado a casos de intoxicação e até mesmo mortes no estado.
Os postos, que operam sob bandeiras diferentes, foram citados anteriormente na Operação Carbono Oculto, uma investigação que examina a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em diversos setores do mercado de combustíveis no Brasil.
A fiscalização foi conduzida em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), com um dos postos localizado em São Bernardo do Campo e o outro em Santo André. Este último é considerado pela polícia como o principal fornecedor de etanol contaminado.
Importante destacar que o metanol não é apropriado para uso como combustível veicular ou aditivo, devendo ser restrito a aplicações industriais. A ANP permite uma concentração máxima de 0,5% de metanol no etanol destinado a veículos, reconhecendo que pequenas quantidades podem ocorrer durante o processo produtivo.
Desde o final de setembro, casos de intoxicação por metanol decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas começaram a ser reportados em São Paulo, motivando uma investigação aprofundada pelas autoridades competentes.
As investigações indicam que falsificadores têm adulterado bebidas como gin e vodca com metanol, uma substância altamente tóxica. O consumo dessas bebidas contaminadas resultou em sintomas severos, incluindo náuseas, dor abdominal, dor de cabeça e, em situações extremas, cegueira.
De acordo com um boletim divulgado pelo Ministério da Saúde no dia 15 de novembro, foram confirmadas seis mortes no estado de São Paulo e duas em Pernambuco atribuídas à ingestão de metanol. Além disso, quase 150 notificações relacionadas ao caso foram registradas em todo o país.
A operação atual é um desdobramento das ações anteriores contra um grupo suspeito de fabricar e distribuir bebidas alcoólicas adulteradas. Na semana passada, as autoridades desmantelaram uma fábrica clandestina em São Bernardo do Campo, onde as garrafas falsificadas eram produzidas. Durante essa operação, uma mulher foi presa sob acusação de ser responsável pela produção ilegal.
Os investigadores identificaram familiares da suspeita entre os alvos da nova ação, incluindo seu pai e ex-marido. A polícia descobriu que a família esteve envolvida na venda da bebida adulterada que causou sérios problemas de saúde ao consumidor Claudio Baptista, que precisou ser hospitalizado após ingerir a bebida em um bar na região da Saúde, Zona Sul da capital.
Além desse caso, outras duas vítimas foram identificadas: Ricardo Lopes Mira e Marcos Antônio Jorge Junior, ambos faleceram após consumirem bebida alcoólica em um bar localizado na Mooca, Zona Leste da cidade. Até agora, três casos foram diretamente ligados à fábrica clandestina recentemente desmantelada.
A Polícia Civil também localizou o responsável por fornecer as garrafas para o grupo criminoso envolvido na fabricação e venda dessas bebidas adulteradas.