Transporte Público

Passageiros enfrentam superlotação e longos trajetos após suspensão do 710

Com a descontinuação do Serviço 710, passageiros enfrentam longas filas e dificuldades nas baldeações na Barra Funda

Estação Barra Funda - Imagem: Reprodução / X / @vitinholuizs

William Oliveira Publicado em 29/08/2025, às 12h44

A interrupção oficial do Serviço 710 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na última quinta-feira (28), gerou insatisfação entre os usuários na estação Palmeiras-Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Desde a mudança, os horários de pico têm sido marcados por superlotação e desorganização.

O governo paulista transformou a Barra Funda em um “hub” de trens, integrando linhas públicas e privadas. No entanto, as reclamações aumentaram, com passageiros relatando caos nas plataformas, escadas e trens, resultando em atrasos tanto na ida ao trabalho quanto no retorno para casa.

Tradicional ponto de partida para a Linha 3-Vermelha do Metrô e o Expresso Aeroporto, a estação agora também atende às linhas 11-Coral e outras novas conexões. O cenário ficou ainda mais complicado devido à interdição de duas escadas em obras, dificultando o acesso às plataformas.

Usuários reclamam da perda da praticidade que o serviço 710 proporcionava, permitindo viagens diretas entre as linhas 7-Rubi e 10-Turquesa. Agora, quem antes seguia direto para a Luz precisa fazer baldeações na Barra Funda, aumentando significativamente o tempo de viagem.

Fábio do Nascimento, porteiro e morador de Francisco Morato, afirmou em entrevista à TV Globo: “Eu fazia de Francisco Morato até a Luz, para depois pegar o metrô e ir para a estação São Joaquim. Só que agora tenho que descer na Barra Funda, pegar outro trem. Não ficou legal pra ninguém. Tudo lotado as escadas, os trens. Vou demorar pelo menos mais meia hora no meu trajeto.”

Até mesmo quem utiliza as linhas para chegar à Rodoviária do Tietê enfrenta dificuldades, já que antes era possível desembarcar na Luz e pegar o metrô direto, agora prejudicado pelas múltiplas baldeações.

CPTM e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) afirmam que o Serviço 710 não foi oficialmente encerrado e será reativado após melhorias na sinalização das linhas.

“Esse serviço vai voltar a partir do momento em que tivermos trocado as sinalizações das linhas 7 e 10 para o padrão europeu adotado em São Paulo e autorizarmos, com as duas concessionárias sob nosso guarda-chuva, um plano operacional em que um trem da 7 sirva à 10 e um trem da 10 sirva à 7”, afirmou André Isper, diretor-presidente da Artesp.

No primeiro dia sem o serviço 710, usuários enfrentaram longas filas na única escada disponível. Funcionários da TIC Trens auxiliaram os passageiros com orientações sobre as novas rotas.

As alterações encurtaram a Linha 7-Rubi, agora conectando Jundiaí diretamente à Barra Funda, enquanto a Linha 10-Turquesa foi estendida até a mesma estação. Iran Leão, gerente de operações da CPTM, explica que a Barra Funda foi escolhida como centro das baldeações por sua infraestrutura, adequada ao aumento do fluxo de passageiros.

A extinção do Serviço 710 também coincide com a transição da concessão da Linha 7-Rubi para a TIC Trens, cujo novo contrato não inclui o serviço unificado anteriormente oferecido pela CPTM. Criado em 2021, a função permitiu maior eficiência das viagens sem baldeações.

CPTM PASSAGEIROS ATRASOS SUPERLOTAÇÃO INTEGRAÇÃO ARTESP São Paulo Barra Funda metrô linha 7-rubi linha 10-Turquesa Tic trens Serviço 710 trânsito ferroviário baldeações

Leia também