Investigação revela que funcionários do banco colaboraram ativamente para facilitar fraudes em contas corporativas
Gabriela Thier Publicado em 28/10/2025, às 17h33
A Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (28), a Operação Swap Oculto, que visa desarticular um esquema de fraudes bancárias envolvendo funcionários de uma instituição financeira. As investigações apontam que o grupo é responsável por desfalques que ultrapassam R$11 milhões, afetando principalmente contas empresariais.
A operação abrange a execução de 20 mandados de busca e apreensão direcionados a 14 suspeitos, tanto na capital paulista quanto em outras regiões do Brasil. A ação foi iniciada após o banco ter reportado perdas significativas em contas corporativas, destacando os casos das empresas HS Prevent Ltda e Thomriss Embalagens Plásticas Ltda.
Segundo as autoridades, o esquema fraudulento foi facilitado pela colaboração ativa de empregados do banco, que abusaram de suas credenciais institucionais para contornar os mecanismos de segurança da instituição. O golpe envolveu a habilitação irregular de identidades corporativas (Ids), que são essenciais para a realização de transações bancárias no aplicativo destinado aos clientes PJ.
Na análise dos desvios, constata-se que apenas da HS Prevent foram subtraídos R$7.939.680,00. Colaboradores identificados como Aline Ceccon Munhoz e Rafael Paulo Rodrigues aprovaram a criação de um novo ID por meio de canais informais, como o WhatsApp, utilizando documentação incompleta e sem assinatura, o que possibilitou o acesso indevido à conta da empresa. Até o fechamento desta reportagem, não foi possível localizar a defesa dos acusados.
Similarmente, na fraude relacionada à Thomriss Embalagens, os colaboradores Thais Pereira da Silva Almeida e Eduardo dos Santos Araujo estiveram envolvidos no processo irregular de habilitação. A defesa deles também não foi encontrada.
O modus operandi do grupo consistiu em dispersar rapidamente os valores desviados. Inicialmente, os recursos foram transferidos para contas abertas fraudulentamente em nome da HS Prevent na CRED-UFES/CORPX BANK e, subsequentemente, movimentados por meio de contas pertencentes a laranjas e empresas fictícias, como JC Andrade Intermediação de Negócios Ltda e Gabriel Muniz Squiovane.
Na fase final do esquema, parte considerável dos fundos foi convertida em criptomoeda USDT (Tether) através da corretora Brasil Bitcoin e transferida para uma carteira externa previamente designada.
Os mandados emitidos incluem endereços dos colaboradores implicados, beneficiários das fraudes e proprietários de carteiras digitais nas plataformas Binance e Bybit. Até o momento, cerca de 220 mil dólares em cripto ativos foram bloqueados judicialmente.