Promotor recomenda suspensão das obras da Linha 2-Verde após danos a imóveis e riscos à segurança dos moradores
William Oliveira Publicado em 20/09/2025, às 10h15
Na última quarta-feira (17), o promotor Moacir Tonani Junior, da Promotoria de Habitação e Urbanismo da Capital, emitiu uma recomendação para que o Metrô de São Paulo interrompa imediatamente as obras de expansão da Linha 2-Verde. A medida inclui a suspensão dos contratos com as empresas consorciadas por tempo indeterminado, até que novas negociações sejam estabelecidas, e abrange o trecho entre Vila Prudente e Dutra, contemplando as fases 1 e 2 da expansão.
De acordo com a recomendação, imóveis situados nas proximidades das áreas de escavação, incluindo estações e poços de ventilação, apresentaram graves danos estruturais, colocando em risco a segurança dos moradores. Muitos residentes estão sendo obrigados a abandonar suas casas, e a situação pode se agravar com a operação do Tatuzão, equipamento usado na perfuração dos túneis.
O documento aponta que as famílias estão sendo removidas abruptamente para hotéis ou residências alugadas, sem aviso prévio ou informações sobre a duração da estadia. Além disso, os imóveis desocupados ficam vulneráveis a depredações e invasões, gerando ainda mais prejuízos.
Segundo o promotor, os responsáveis pelas obras não estão realizando os reparos necessários, e as medidas do Metrô até o momento não têm evitado novos problemas. Foi estipulado um prazo de 30 dias para que o Metrô forneça uma lista detalhada das famílias deslocadas, incluindo número de integrantes, idades, profissões, meios de contato, endereços originais e relação de indenizações pagas.
Em julho, o Ministério Público já havia iniciado investigação sobre danos estruturais causados pela expansão da Linha 2-Verde, especificamente entre as estações Vila Prudente e Penha. Moradores relataram que algumas residências se tornaram inabitáveis, e outras oito casas vizinhas foram interditadas por motivos de segurança, atribuídos à operação do Tatuzão, cuja perfuração estava prevista para ser concluída até novembro de 2024.
O Metrô afirmou que adota medidas para garantir a segurança e o bem-estar dos moradores, monitorando os imóveis próximos para identificar movimentações ou anomalias estruturais.