Dados do Gaesp mostram que 672 mortes ocorreram em 2025, um aumento de 3% em relação ao ano anterior
William Oliveira Publicado em 08/01/2026, às 07h43
Pelo terceiro ano consecutivo, o estado de São Paulo registrou aumento no número de mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço. De acordo com dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do Ministério Público, 2025 terminou com 672 óbitos provocados por agentes em horário de trabalho — alta de 3% em comparação às 653 ocorrências registradas em 2024.
O cenário consolida uma tendência de crescimento iniciada durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Quando incluídas as mortes causadas por policiais fora do expediente, o total chega a 776 vítimas. Embora o número geral seja ligeiramente inferior aos 780 registros do ano anterior, os dados acendem um alerta para uma mudança no perfil da letalidade policial no estado.
Enquanto as mortes provocadas por policiais de folga atingiram o menor patamar histórico, com 104 casos, os óbitos ocorridos durante o expediente — período em que o uso de câmeras corporais é obrigatório — seguem em alta.
A análise dos dados aponta que o avanço da letalidade policial se intensificou no segundo semestre de 2025, coincidindo com a substituição do modelo de câmeras corporais. Diferentemente do sistema implantado em 2022, ano que registrou o menor índice histórico de mortes por intervenção policial, os novos equipamentos não realizam gravação contínua.
Entre o primeiro e o segundo semestre de 2025, o número de mortes em serviço saltou de 306 para 366, um aumento próximo de 20%. A mudança tecnológica ocorreu após acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em maio, que autorizou o governo paulista a instalar cerca de 12 mil novas Câmeras Operacionais Portáteis (COPs).
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que o uso das câmeras corporais permanece obrigatório e está respaldado por portaria que estabelece diretrizes operacionais e prevê responsabilização disciplinar em caso de descumprimento. O governo sustenta que a distribuição dos equipamentos prioriza batalhões localizados em áreas de maior risco, com base em critérios técnicos validados pelo STF.
O acordo judicial prevê ainda o envio de relatórios periódicos de monitoramento ao Ministério Público e à Defensoria Pública, com o objetivo de assegurar a fiscalização das ações policiais em todo o estado.