Após sofrer um AVC que o afastou dos palcos, músico enfrentou a dependência química e viveu por mais de uma década em situação de rua
Lívia Gennari Publicado em 05/06/2025, às 19h02
O músico Edson Bernardo de Lima, mais conhecido como Café, ex-integrante do grupo Raça Negra, faleceu no último domingo (1), aos 69 anos, em São Paulo. Ele foi encontrado desacordado na calçada de uma rua na zona leste da capital e, apesar de ter sido socorrido, não resistiu.
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), divulgadas nesta quinta-feira (5), Café foi inicialmente levado para a UPA Carrão e, em seguida, transferido para o Hospital Municipal do Tatuapé, onde veio a óbito. Familiares reconheceram o corpo no Instituto Médico Legal (IML) Leste, na capital paulista.
Trajetória marcada por altos e baixos
Edson Café fez parte da formação original do Raça Negra, um dos grupos mais marcantes do samba e do pagode no Brasil. Como violonista, ele contribuiu diretamente para o sucesso da banda nos anos 1990, período em que o grupo estourou nacionalmente com sucessos como Cheia de Manias, Cigana e É Tarde Demais.
No entanto, a carreira de Café foi interrompida após o músico sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), que comprometeu os movimentos dos braços. Longe dos palcos, Café acabou desenvolvendo dependência química.
Nos últimos anos, ele enfrentou uma dura realidade. Viveu em situação de rua por mais de uma década, principalmente no Rio de Janeiro, onde trabalhava como guardador de carros para sobreviver. Apesar das tentativas de se reabilitar, com passagens por clínicas, ele teve muitas recaídas. Chegou a morar com os filhos, mas, após desentendimentos familiares, voltou para as ruas.
Em uma entrevista concedida à Record TV, em 2020, Café falou abertamente sobre a luta contra o vício. "Não tem como morar na rua e não fumar um baseado, não dá", declarou na época, destacando as dificuldades de se manter longe das drogas vivendo em situação de vulnerabilidade.
De volta a São Paulo, ele foi acolhido temporariamente por uma fã que, durante anos, tentou ajudá-lo a se reerguer. Mesmo assim, seguia trabalhando nas ruas como uma maneira de tentar se manter ativo e evitar o consumo de drogas. “Se eu ficar aqui, fico querendo escrever ou então me drogar. Vou ficar enfiado na Cracolândia aí do lado. Eu prefiro sair, dar um rolezinho. E ganhar um dinheirinho. Tomo conta de carro na praça”, contou em uma de suas últimas entrevistas.
A morte de Café encerra uma trajetória de talento, desafios e resistência. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento do músico