Briga de Irmãos

Justiça nega pedido de Fióti contra Emicida em disputa milionária

Disputa entre os irmãos envolve alegações de movimentações financeiras irregulares e desvio de recursos na empresa

TJSP rejeitou o pedido de Fióti para impedir o irmão Emicida de ser sócio único da Lab Fantasma - Imagem: Reprodução / X / @tracklist

William Oliveira Publicado em 03/04/2025, às 10h14

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tomou uma decisão preliminar em um caso que envolve os irmãos Evandro Fióti e Emicida, negando o pedido de tutela de urgência solicitado por Fióti. O empresário buscava impedir que Emicida atuasse como único sócio da Lab Fantasma, uma empresa que ambos fundaram em 2009 e que também gerencia a carreira de artistas como Rael e Drik Barbosa.

Fióti ingressou com a ação no início de março, alegando que Emicida estava realizando movimentações financeiras sem o seu consentimento. Entre os pedidos feitos estavam a preservação dos saldos das contas corporativas e a exigência de que ambos concordassem antes da celebração de contratos pela empresa. Além disso, Fióti requereu que Emicida não se apresentasse publicamente como o único proprietário da Lab Fantasma.

Em resposta, Emicida contra-atacou com acusações de desvio de recursos, alegando que Fióti teria transferido cerca de R$ 6 milhões da conta da empresa para sua conta pessoal entre junho de 2024 e fevereiro de 2025. A defesa do rapper sustenta que as transferências são parte de um comportamento irregular por parte de seu irmão.

Na decisão proferida nesta terça-feira (1º), o juiz Guilherme de Paulo Nascente Nunes apontou que as alegações apresentadas eram complexas e requeriam uma análise mais aprofundada, justificando assim a negativa ao pedido de Fióti, mas assegurando a continuidade do processo judicial.

A Lab Fantasma, além de ser uma marca no setor da moda, tem papel significativo na produção cultural independente brasileira, sendo um marco na carreira dos dois irmãos. Criada no Jardim Cachoeira, na Zona Norte de São Paulo, a empresa se consolidou ao longo dos anos sob a direção compartilhada dos irmãos.

De acordo com fontes próximas ao caso, Fióti alega que Emicida bloqueou seus acessos às contas da empresa e revogou uma procuração que lhe conferia poderes iguais na gestão da Lab no início deste ano. Ele refuta as acusações de desvio, afirmando que todas as suas movimentações foram transparentes e devidamente registradas.

Na mesma linha, a defesa de Fióti enfatiza que a acusação é infundada e que sua remuneração está alinhada com o modelo econômico da empresa. Fióti ainda afirma que houve um entendimento entre eles para sua saída do quadro societário, embora os termos não tenham sido respeitados por Emicida.

No último sábado (29), Emicida anunciou formalmente o término da parceria artística com Fióti através de uma publicação em sua rede social, onde deixou claro que Fióti não representa mais seus interesses artísticos. No mesmo dia, Fióti comunicou o início de uma nova fase em sua trajetória musical após 16 anos à frente da Lab Fantasma.

Em nota divulgada à imprensa, Fióti reafirmou sua posição em relação à gestão da empresa: "Nunca desviou qualquer valor da LAB Fantasma ou de empresas do grupo. Todas as movimentações feitas durante sua gestão foram transparentes." Ele ainda destacou a existência de um acordo formal que garantiu a gestão conjunta das empresas e defendeu sua transparência em todas as operações financeiras.

O que diz Fióti?

"Diante das matérias publicadas na imprensa hoje, Evandro Fióti vem esclarecer:

Nunca desviou qualquer valor da LAB Fantasma ou de empresas do grupo. Todas as movimentações feitas durante sua gestão foram transparentes, registradas e seguindo os procedimentos financeiros adotados pelos gestores, assim como as retiradas de lucros ao sócio e artista Emicida.

A administração das empresas sempre foi conjunta, conforme acordo formal ratificado assinado por ambos em dezembro de 2024, que estabelecia, entre diversas premissas e declarações de parte a parte, a gestão compartilhada das empresas, a divisão igualitária de ativos e passivos (50% para cada sócio), além do conhecimento prévio a ambos acerca de movimentações financeiras relevantes.

A acusação de “desvio” é falsa e inverte os fatos.

O próprio processo judicial contém documentos que comprovam que Emicida recebeu valores superiores, incluindo distribuições de lucros acordadas entre as partes.

A divulgação distorcida de informações parciais de um processo é gravíssima e será tratada com as medidas legais cabíveis, em todas as esferas, inclusive penal.

Evandro reafirma seu compromisso com a verdade, a transparência na gestão e o respeito à história construída junto à LAB Fantasma."

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