JUSTIÇA

Justiça autoriza retorno de PMs da Rota afastados após morte de policial civil

Cabo Robson Santos e sargento Marcus Mendes voltam a funções administrativas após decisão da Justiça em caso de morte de policial civil

Rafael Moura, agente de telecomunicações da Polícia Civil, foi baleado em 11 de julho durante uma operação no Capão Redondo - Imagem: Reprodução / Fantástico

William Oliveira Publicado em 04/08/2025, às 13h13

A Justiça de São Paulo acolheu um pedido das defesas do cabo Robson Santos Barreto e do sargento Marcus Augusto Costa Mendes, integrantes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), e autorizou que ambos retornem a funções administrativas. Eles estavam afastados após se envolverem na operação que resultou na morte do policial civil Rafael Moura, em julho deste ano.

A decisão foi proferida pela juíza Isabel Rodriguez, da 3ª Vara do Júri do Foro Central Criminal, na última sexta-feira (1º). Com isso, os policiais poderão trabalhar internamente por 90 dias, ou até a conclusão das investigações. Eles seguem impedidos de exercer atividades operacionais externas.

Em entrevista ao Metrópoles, o advogado Fábio Galves, defensor de Mendes, afirmou que o policial voltará ao trabalho interno e terá direito à remuneração e benefícios previstos na função.

O caso

Em 11 de julho, durante uma ação no Capão Redondo, zona sul da capital paulista, Mendes disparou quatro vezes contra dois policiais civis, mesmo após a identificação deles. Um dos tiros atingiu Rafael Moura, que foi internado em estado grave e morreu cinco dias depois. O outro agente foi ferido de forma leve.

À época, a PM afastou Mendes, Barreto e outros dois policiais envolvidos na operação. Moura, agente de telecomunicações da Polícia Civil, participava da ação quando foi alvejado. A suspensão cautelar das funções públicas foi determinada pela Justiça ainda no mesmo dia do ocorrido.

As investigações continuam, e tanto Mendes quanto Barreto são investigados por possível homicídio. Eles também podem ser expulsos da corporação. Um mês antes do episódio, os dois já haviam se envolvido em outra ocorrência com morte, também na zona sul.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais seguirão afastados das ruas e confirmou que o comando da PM foi notificado sobre a nova decisão judicial.

Família cobra justiça

A família do policial civil Rafael Moura se manifestou com indignação. A irmã da vítima relembrou que Rafael sonhava em ser policial desde criança e aspirava se tornar delegado.

"O policial da Rota atirou pra matar meu irmão. Ele deixou três filhos pequenos e esposa. Meu pai, que já é um senhor de idade, está arrasado. Estamos todos arrasados", desabafou.

Ela também pediu acesso público às imagens da câmera corporal usada pelo sargento Marcus Mendes, as quais já estão com a Polícia Civil para análise. “A conduta [de Marcus] foi errada como policial. Todo mundo quer ver essas imagens, já que ele fala que foi legitima defesa. Todo mundo quer ver, porque ele está na rua”, afirmou.

O que diz a defesa?

As defesas alegaram que o afastamento das ruas já garantia os efeitos da medida cautelar e que a suspensão integral das atividades seria excessiva e prejudicial, especialmente por afetar a renda e a subsistência das famílias dos envolvidos. Sustentaram ainda que a restrição total ao exercício da função gerava prejuízos irreparáveis.

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