Pesquisa do Instituto Sou da Paz revela que taxa de homicídios por arma de fogo entre homens negros é três vezes maior do que a do restante da população masculina
Marina Milani Publicado em 20/11/2024, às 21h30
O Brasil continua a enfrentar uma crise de violência que desproporcionalmente afeta a população negra. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz, com base em dados de 2022 do Ministério da Saúde, a taxa de homicídios por arma de fogo entre homens negros é alarmante: 44,7 por 100 mil, enquanto o restante da população masculina registra uma taxa de 14,7.
Essa discrepância não é novidade, mas sim uma realidade persistente que merece atenção urgente dos governantes. "A resposta adotada até aqui não é suficiente para reverter o quadro", alerta Cristina Neme, coordenadora da pesquisa. Os números são ainda mais impactantes quando consideramos que 79% das vítimas de homicídios por arma de fogo são homens pretos ou pardos.
A região Nordeste concentra quase metade dos homicídios por arma de fogo no país, com uma taxa de 57,9 mortes por 100 mil homens. Já o Sudeste, apesar de registrar 21% dos homicídios masculinos, apresenta a menor taxa entre as regiões, com 16,2 por 100 mil homens.
A pesquisa também destaca que metade dos casos de assassinato ocorre nas vias públicas, enquanto 11,2% acontecem no interior de residências. Além disso, os jovens continuam a ser as principais vítimas, com 43% dos homicídios por arma de fogo ocorrendo entre pessoas de 20 a 29 anos.
"Esses números indicam que a população negra é a mais vulnerável a ser vitimada pela violência homicida", afirma Neme. Os fatores estruturais ligados a essa incidência incluem dificuldades históricas de acesso a serviços públicos de educação, saúde e moradia, que afetam renda e empregabilidade.
Embora o Brasil tenha registrado uma redução de 3,4% nos homicídios entre 2022 e 2023, o perfil das vítimas permanece inalterado. É fundamental que os governantes adotem medidas eficazes para combater essa desigualdade e garantir que todos os brasileiros tenham direito à vida e à segurança.