OPERAÇÃO

Favela do Moinho: polícia invade território do PCC e cumpre mandados contra crime organizado

A operação do Gaeco e da Polícia Militar visa combater o PCC e suas atividades criminosas na Favela do Moinho, em São Paulo

Até o momento, sete prisões foram efetuadas, além de duas detenções em flagrante - Imagem: Reprodução / TV Globo

William Oliveira Publicado em 08/09/2025, às 13h01

A Favela do Moinho, localizada no Centro de São Paulo, foi identificada como um importante núcleo de operações do Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvida em tráfico de drogas, extorsão a moradores e lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Na manhã desta segunda-feira (8), uma grande operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Militar cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão. Até o momento, sete prisões foram efetuadas, além de duas detenções em flagrante.

A investigação aponta que o grupo criminoso operava sob as ordens de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Leo do Moinho, preso preventivamente desde agosto do ano passado, considerado o líder da organização, junto com sua família. Entre os detidos estão Alessandra Moja Cunha, irmã de Leo, e sua filha Yasmin Moja Flores, envolvidas em atividades de tráfico e extorsão.

A Favela do Moinho, situada sob o Viaduto Engenheiro Orlando Murgel e próxima às linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM, surgiu entre as décadas de 1980 e 1990, ocupando um antigo terreno de um moinho desativado, propriedade da União. Desde abril deste ano, o governo estadual iniciou a remoção das mais de 900 famílias residentes, oferecendo imóveis de até R$ 250 mil e auxílio-aluguel enquanto aguardam a mudança, com o objetivo de criar um parque e reduzir o crime organizado.

Segundo o MPSP, a facção exigia propinas de moradores que desejavam participar do programa habitacional da CDHU, com valores chegando a R$ 100 mil por família. Aqueles que se recusavam eram ameaçados diretamente. Torres eram usadas para armazenamento de drogas e armas, casas-bomba funcionavam como depósitos clandestinos, e carroceiros disfarçavam o tráfico de drogas como coleta de materiais recicláveis.

A facção também controlava uma rede de hotéis na região da Cracolândia, usados como abrigo para usuários de drogas, exploração sexual e lavagem de dinheiro. Empresas formais eram utilizadas para dar aparência legal às operações ilegais de Leonardo Moja.

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado informou que até o momento 537 famílias foram transferidas, garantindo assistência contínua aos moradores afetados durante todo o processo.

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