Política

Ex-candidata a vereadora em SP, Zilu Camargo é cobrada pela Justiça Eleitoral

Contas da campanha de 2024 foram rejeitadas, e empresária terá de devolver R$ 100 mil ao Tesouro Nacional por irregularidades apontadas pela Justiça

Zilu Camargo - Imagem: Reprodução/Instagram

Manoela Cardozo Publicado em 14/07/2026, às 14h37

A Justiça Eleitoral rejeitou as contas de campanha de Zilu Camargo nas eleições municipais de 2024 e determinou que a empresária devolva R$ 100 mil ao Tesouro Nacional. A decisão aponta irregularidades na prestação de contas da candidatura à Câmara Municipal de São Paulo. Ainda cabe recurso.

Filiada ao União Brasil, Zilu recebeu 4.579 votos, não foi eleita, mas ficou como suplente. Segundo a prestação de contas, sua campanha foi financiada com cerca de R$ 1,8 milhão em recursos públicos.

A decisão foi assinada pela juíza eleitoral Cecilia Pinheiro da Fonseca, da 6ª Zona Eleitoral de São Paulo, após um parecer técnico identificar falhas na documentação apresentada pela campanha.

Entre os problemas apontados está a entrega fora do prazo de um relatório financeiro referente a uma doação de R$ 550 mil feita pelo partido, valor que representava cerca de 30,5% de toda a arrecadação da campanha.

A sentença também destaca despesas custeadas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral).

Uma delas, de R$ 316,6 mil, envolvia a contratação de uma empresa de marketing político. Embora o contrato tenha sido apresentado somente após a conclusão do parecer técnico, a magistrada entendeu que o documento foi suficiente para afastar a devolução desse valor aos cofres públicos.

Já uma despesa de R$ 100 mil motivou a determinação de ressarcimento ao Tesouro Nacional. Segundo a Justiça, o contrato firmado com a prestadora de serviços não continha a assinatura de Zilu Camargo, tornando o documento inválido.

O Ministério Público Eleitoral acompanhou o entendimento da área técnica e defendeu a manutenção da decisão, afirmando que as falhas encontradas comprometem a transparência e a fiscalização da aplicação dos recursos públicos durante a campanha.

Em recurso, a defesa de Zilu argumenta que o atraso na entrega do relatório de R$ 550 mil foi apenas um erro formal e que não prejudicou a análise das contas.

Os advogados também sustentam que o contrato de R$ 316,6 mil foi apresentado antes da sentença e alegam que problemas técnicos no sistema da Justiça Eleitoral dificultaram o envio da documentação.

Sobre a devolução dos R$ 100 mil, a defesa afirma que a ausência da assinatura da candidata no contrato representa uma falha meramente formal e cita decisões anteriores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que reconheceram a validade de documentos semelhantes quando havia outras provas da prestação do serviço.

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