A manifestação, que começou por volta das 7h, tem como objetivo contestar o fechamento temporário da Escola Estadual de São Paulo, previsto para 2025
William Oliveira Publicado em 09/12/2024, às 09h51
Estudantes da Escola Estadual de São Paulo, juntamente com representantes de movimentos estudantis, realizaram na manhã desta segunda-feira (9) um protesto em frente à instituição localizada no bairro do Brás, região central da capital paulista. A manifestação, que se iniciou por volta das 7h, visa contestar o fechamento temporário da escola previsto para 2025.
A Secretaria da Educação do Estado anunciou que a desativação da unidade, uma das mais tradicionais de São Paulo e antiga escola do jornalista Vladimir Herzog, se deve a um projeto de revitalização conduzido pela Prefeitura no Parque Dom Pedro II, onde o colégio está situado. A pasta esclareceu que tal medida é parte de um acordo entre as administrações estadual e municipal, visando garantir a segurança de alunos e funcionários durante as obras.
Em resposta à decisão governamental, os estudantes expressaram preocupação com o impacto sobre a comunidade escolar. "Esta decisão afetará negativamente centenas de alunos e trabalhadores", argumenta o comunicado dos manifestantes. O movimento conta com o respaldo de entidades como a União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes-SP) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).
A Secretaria afirmou que o ano letivo de 2024 ocorrerá normalmente e garantiu a relocação dos 130 alunos e 27 funcionários para outras escolas próximas. Em particular, os alunos das séries finais serão transferidos para a Escola Estadual Caetano de Campos, enquanto novas turmas serão distribuídas entre unidades da região central e da Mooca.
O governo assegurou ainda que, após a conclusão das obras, a escola retomará suas atividades, possivelmente com cursos voltados à Educação Profissional ou como Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Ceeja).
A notícia foi recebida com surpresa e apreensão pela comunidade escolar. "Fui pega de surpresa", revelou Fernanda Moura, estudante do terceiro ano do ensino médio. Sentimentos semelhantes foram compartilhados por Cristhyan Giovanne, que destacou a qualidade educacional única da instituição. Ambos lamentaram a falta de escolha sobre suas futuras instituições.
A escola tem sido elogiada por sua infraestrutura superior e projetos pedagógicos inovadores, que incluem clubes extracurriculares e tutoriais personalizados. "Foi aqui que descobri meu caminho profissional graças aos recursos e oportunidades disponíveis", comentou Cristhyan.
Diante disso, um abaixo-assinado foi iniciado pelos estudantes na tentativa de reverter o fechamento temporário. Renato Hyago, ex-aluno engajado na mobilização, destacou a excelência do ensino proporcionado pela escola.
A escola
Fundada em 1894 na área próxima à Pinacoteca e relocada em 1958 para seu endereço atual junto ao Parque Dom Pedro II, a E.E. São Paulo possui uma rica história educacional. Já acolheu personalidades notáveis como Vladimir Herzog e outros ex-alunos ilustres.
No entanto, partes do prédio estão desativadas há anos devido à falta de reformas previstas para transformá-las em instalações policiais, situação que contribuiu para a degradação física do local.