Universitária que vive no Brasil afirma ter sido barrada duas vezes ao tentar viajar para intercâmbio na Europa; caso passou a ser acompanhado por entidade de defesa de imigrantes.
Redação Publicado em 13/03/2026, às 10h08
Uma estudante haitiana que vive no Brasil denunciou ter sido impedida de embarcar para a Europa no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e afirma ter sofrido tratamento discriminatório durante a abordagem realizada por funcionários ligados à companhia aérea.
Ruth Lydie Joseph, de 32 anos, mora no Brasil desde 2020, na cidade de Foz do Iguaçu (PR), onde cursa relações internacionais na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). A viagem tinha como destino a cidade de Praga, na República Tcheca, onde a estudante participará de um programa de intercâmbio acadêmico até junho.
Segundo relato feito à imprensa, a universitária chegou ao aeroporto na terça-feira (10) para embarcar em um voo com conexão na Alemanha. Durante o processo de despacho de bagagens, um segurança ligado à companhia aérea teria iniciado uma série de questionamentos sobre sua viagem.
De acordo com Ruth, o funcionário solicitou documentos e passou a perguntar há quanto tempo ela vivia no Brasil, qual era o objetivo da viagem e o que faria na Europa. A estudante afirma que, após as perguntas, foi informada de que não teria o “perfil adequado” para realizar a viagem.
“Ele disse que eu não ia mais viajar. Pegou minhas etiquetas de bagagem e minhas passagens. Parecia que estavam tentando me humilhar e me intimidar na frente de todos”, relatou.
Com a situação, ela acabou perdendo o primeiro voo.
No dia seguinte, a estudante tentou embarcar novamente em outro voo para Praga, desta vez com conexão em Lisboa. Porém, segundo Ruth, o cartão de embarque foi entregue com atraso e o avião decolou antes que ela conseguisse concluir o processo de embarque.
A estudante afirma que permaneceu no aeroporto sem assistência adequada até que a universidade acionou o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC).
Para a advogada Kathelly Menezes, que acompanha o caso pela entidade, a situação levanta preocupação sobre possível tratamento discriminatório contra migrantes.
Segundo ela, companhias aéreas não podem estabelecer critérios subjetivos sobre quem teria ou não “perfil” para viajar, principalmente quando o passageiro possui documentação válida.
“Esse episódio revela um grave descaso e desrespeito com a comunidade migrante e refugiada que escolheu o Brasil para reconstruir sua vida”, afirmou a advogada.
Ruth possui visto humanitário e documentação regular no país. O caso passou a ser acompanhado pelo CDHIC, que analisa possíveis medidas jurídicas.
Na noite de quinta-feira (12), a estudante foi informada de que a viagem foi remarcada para segunda-feira (16) em um voo com destino a Madri, na Espanha, de onde seguirá para a República Tcheca.
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que a passageira foi realocada em outro voo e que acompanha o caso desde o início para viabilizar a solução mais adequada.
A companhia também afirmou que atua em conformidade com os regulamentos das autoridades nacionais e internacionais.