Relatório aponta rompimento de tubulação como causa do alagamento, mas qualidade das obras de reforma é questionada
Marina Milani Publicado em 13/01/2025, às 08h36
A recente enchente que alagou o Estádio do Pacaembu durante a final da Taça das Favelas, no dia 21 de dezembro, levou o Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) a cobrar explicações da Prefeitura de São Paulo. O presidente do órgão, Domingos Dissei, enviou um ofício exigindo respostas sobre as causas do alagamento, os prejuízos envolvidos e as medidas adotadas para evitar novos incidentes, especialmente com a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior programada para 25 de janeiro.
O episódio, que culminou no cancelamento da partida entre as equipes de São Paulo e Espírito Santo, chamou atenção para os problemas estruturais do estádio reformado ao custo de R$ 800 milhões pela concessionária Allegra Pacaembu. Segundo relatório da empresa, o rompimento de uma tubulação de águas pluviais foi o principal responsável pelo incidente.
Além do dia 21, o estádio enfrentou novo alagamento no Natal, apenas quatro dias depois. A concessionária e a prefeitura atribuíram os problemas a detritos trazidos pelas chuvas e ao rompimento de uma tubulação que recebe escoamento de bairros vizinhos.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que os reparos na tubulação já estão em fase avançada, enquanto a Allegra declarou que o colapso foi agravado por tempestades e entulho acumulado. No entanto, especialistas questionam se as intervenções planejadas, incluindo a substituição da rede de esgoto, são suficientes para evitar futuros transtornos.
O valor bilionário da obra de reforma do Pacaembu contrasta com os problemas enfrentados poucos meses após a entrega. O relatório técnico da Allegra indica a necessidade de substituição de uma galeria de esgoto por uma estrutura reforçada, com dimensões significativamente maiores. A medida, embora necessária, levanta questionamentos sobre a qualidade das obras já realizadas.
Com a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior marcada para o próximo mês, o TCM-SP demonstrou preocupação em garantir que o estádio esteja apto a receber o evento. A cobrança por transparência e eficácia nas obras coloca a administração municipal e a concessionária sob escrutínio público.