Jovem de 22 anos é morto por PM em hotel de São Paulo
Marina Milani Publicado em 25/11/2024, às 08h27
Gabriele Mantey Caetano Elias, de 21 anos, conhecida como Gabi Morena, reviveu os últimos momentos ao lado de Marco Aurélio Cardenas Acosta, estudante de 22 anos morto a tiros por um policial militar no Hotel Flor da Vila Mariana, em São Paulo, na última quarta-feira (20).
Segundo Gabriele, a relação com Marco, apelidado de “Bilau” e Boy da VM, era intensa. "Éramos mais que amigos há dois anos", contou. Naquela noite, ela estava em um bar quando o encontrou com amigos. Marco, que havia bebido gin, insistiu para que se encontrassem no hotel, um local que frequentavam com frequência.
No quarto, a situação saiu do controle. Marco, bêbado, começou a agir de forma desrespeitosa. “Ele jogou o travesseiro pela janela e tentou jogar minha garrafinha de água. Quando peguei o celular para gravar, ele parou, mas me empurrou quando tentei sair do quarto”, relatou. Após isso, Gabriele decidiu ir embora e se escondeu na recepção do hotel para esperar seu carro.
Pouco depois, Marco saiu do quarto e, sem saber que ela ainda estava no local, enviou uma mensagem para questioná-la. Minutos depois, o estudante foi confrontado por policiais na porta do hotel. “Eu ouvi o disparo em menos de 5 segundos. Vi ele caindo lentamente, me olhando. É algo que nunca vai sair da minha cabeça”, disse Gabriele, emocionada.
A jovem também acompanhou Marco na ambulância até o hospital, mas diz que os policiais negligenciaram o atendimento ao estudante. “Negaram colocar oxigênio e não estancaram o ferimento. Achei que ele sobreviveria, mas fui informada horas depois, pelos próprios policiais, que ele havia morrido.”
Desolada, Gabriele lamentou a perda. “Eu daria tudo para não ter saído de casa nesse dia. Um pedaço de mim foi com ele.”
A família de Marco foi orientada por Gabriele a buscar as imagens de segurança do hotel, que, segundo ela, mostram que ele estava indefeso no momento do tiro. O caso segue sob investigação, e a conduta dos policiais é alvo de críticas e pedidos de justiça.