Crise Energética

Durante apagão, moradores denunciam cobrança de propina por técnicos da Enel para religar a luz

Moradores relatam pedidos de até mil reais enquanto milhões permaneciam no escuro na Grande São Paulo

Enel nega autorizar cobranças individuais e orienta clientes a denunciarem condutas inadequadas de suas equipes em campo - Imagem: Reprodução/O Globo/Agência Brasil

Gabriela Nogueira Publicado em 11/12/2025, às 20h22

A Polícia Militar abriu uma investigação para apurar a suspeita de cobrança indevida por parte de técnicos que atuavam na restauração da energia elétrica em Diadema, na região metropolitana de São Paulo. O caso veio à tona na manhã desta quinta-feira (11), quando moradores de um condomínio no centro da cidade relataram ter sido pressionados a pagar valores que, segundo testemunhas, começaram em trezentos reais e chegaram a ultrapassar mil reais para que a eletricidade fosse restabelecida.

Chamadas para o local, equipes da PM e da Guarda Civil Municipal acompanharam a situação e levaram o síndico, funcionários do prédio e três trabalhadores que prestavam serviço à Enel até o 3º Distrito Policial de Diadema para esclarecimentos. Segundo o boletim registrado, um dos técnicos teria retornado ao condomínio mais de uma vez ao longo do dia e voltado a exigir pagamento, comportamento que motivou a denúncia formal.

A Enel informou que não autoriza qualquer tipo de cobrança individual para religação emergencial e afirmou que esse tipo de prática viola suas normas operacionais. A concessionária também orientou que clientes procurem os canais oficiais sempre que identificarem condutas inadequadas de equipes em campo.

O episódio ocorre em meio a uma das maiores crises recentes no fornecimento de energia na Grande São Paulo. A região enfrentou ventos que chegaram a cem quilômetros por hora após a passagem de um ciclone extratropical, provocando a queda de árvores, rompimento de cabos e destruição de parte da infraestrutura. Os impactos foram severos: mais de 2,2 milhões de imóveis ficaram sem luz na quarta-feira, e ao longo do dia seguinte ainda havia cerca de 1,3 milhão de clientes no escuro.

Vinte e quatro municípios foram afetados pelo apagão, com destaque para São Paulo, que registrou quase novecentos mil consumidores sem energia. Juquitiba esteve entre as cidades mais atingidas, com mais da metade das residências sem fornecimento. Santo André, Cotia, Osasco, Embu das Artes e São Bernardo do Campo também contabilizaram dezenas de milhares de imóveis no escuro.

A Enel afirmou que não há previsão para normalização total do serviço. Em comunicado, a empresa informou que, em algumas regiões, será necessário reconstruir trechos inteiros da rede, incluindo postes, transformadores e quilômetros de cabos danificados. A Agência Nacional de Energia Elétrica notificou a concessionária e determinou o prazo de cinco dias para que apresente relatórios detalhados sobre o evento climático e as interrupções ocorridas na área de concessão.

Entre a falta de luz e a suspeita de cobrança irregular, moradores manifestam preocupação com a insegurança energética e cobram respostas mais rápidas da empresa responsável pelo serviço. O caso em Diadema soma-se às críticas já existentes sobre a capacidade da concessionária de responder a eventos climáticos intensos e garantir atendimento adequado em situações de emergência. As investigações seguem em andamento na Polícia Civil.

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