Ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz, foi brutalmente executado a tiros no litoral paulista nesta segunda-feira (15)
William Oliveira Publicado em 16/09/2025, às 11h50
Na tarde desta segunda-feira (15), o ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, foi brutalmente assassinado a tiros no litoral paulista. O crime ocorre em um contexto de ameaças que perduravam há anos, já que Fontes havia escapado de uma tentativa de assassinato orquestrada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2010.
Em declarações à GloboNews, o promotor Lincoln Gakiya, atualmente responsável por investigações relacionadas ao crime organizado, afirmou que teve conhecimento do plano contra Fontes enquanto ele deixava o 69º Distrito Policial, na Zona Leste da capital. Na época, Gakiya atuava como promotor criminal na Comarca de Presidente Venceslau e participou do deslocamento das principais lideranças do PCC para presídios de segurança máxima.
"Graças a uma investigação minha, conseguimos salvar a vida do doutor Ruy, pois assassinos do PCC planejavam matá-lo defronte ao 69º DP, na Grande SP. Acionamos a Rota e, se não me engano, quem atendeu essa ocorrência foi o então tenente Guilherme Derrite – hoje secretário de Segurança Pública. Prendemos dois assassinos com fuzis, que estavam lá a mando do PCC para matar o doutor Ruy", relatou Gakiya.
Desde 2006, Ruy Ferraz era alvo do PCC devido ao seu papel decisivo na implementação de um projeto que reuniu todas as lideranças da facção no presídio de segurança máxima em Presidente Venceslau. Gakiya ressaltou: "O Ruy era o policial do país que mais entendia de PCC".
O promotor lamentou a perda do colega e enfatizou a necessidade de proteção policial para aqueles que investigam crimes organizados, mesmo após a aposentadoria. Ele criticou a ausência de medidas do estado para proteger profissionais dedicados à segurança pública.
"Uma autoridade que dedicou mais de 40 anos ao combate ao crime organizado deveria ter alguma proteção do Estado. Venho brigando por isso. Não é pela minha situação em particular, é por todos os policiais que já morreram em serviço. O Ruy, infelizmente, é mais um deles, que virou estatística do Estado", concluiu.
Gakiya também destacou que o PCC evoluiu para uma organização semelhante a uma máfia e que tais grupos não demonstram clemência a seus opositores.