Desde o início da crise em junho, mais de 600 incidentes foram registrados
Gabriela Thier Publicado em 14/07/2025, às 18h33
No último domingo (13), a cidade de São Paulo registrou um total de 47 ataques a ônibus, conforme informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e pela SPTrans. Os incidentes ocorreram de forma disseminada por diversas regiões da capital.
Esse evento marca o segundo dia mais violento desde o início da recente onda de depredações, que teve seu auge em 7 de julho, quando foram contabilizados 59 ataques em um único dia. Desde o início dessa crise, em 12 de junho, já são 421 veículos danificados, causando pânico entre motoristas e passageiros.
Os ataques não se restringem apenas à capital paulista; municípios da Grande São Paulo e da Baixada Santista também têm sido afetados, totalizando mais de 600 incidentes relacionados.
Em resposta à crescente violência, as autoridades policiais intensificaram as investigações e operações de prisão. Até o momento, sete suspeitos foram detidos. O prefeito Ricardo Nunes expressou sua insatisfação com o andamento das investigações em entrevista à GloboNews, afirmando que a identificação dos responsáveis pelos ataques está "demorando".
As principais linhas de investigação giram em torno de três hipóteses: a possível conexão dos agressores com o Primeiro Comando da Capital (PCC), desafios propagados pela internet e a possível insatisfação de empresas ou indivíduos do setor de transporte coletivo urbano, sendo esta última considerada a mais provável. O delegado Fernando José Góes Santiago acredita que os agressores possam estar "descontentes com algum tipo de tratamento" recebido por parte das empresas do setor.
A SPTrans reafirmou em comunicado que as concessionárias devem informar imediatamente todos os incidentes à Central de Operações e formalizar os registros junto às autoridades competentes. Em caso de depredação, é obrigatória a manutenção do veículo danificado e a substituição por um veículo reserva; o não cumprimento dessa norma pode resultar em penalizações para a empresa pela viagem não realizada.
A violência também atingiu vans que transportam pessoas com deficiência. Recentemente, uma dessas vans foi atacada, sendo que outra já havia sofrido um ataque semelhante dias antes. Um dos suspeitos detidos é Júlio César da Silva, flagrado em vídeo enquanto atirava uma pedra contra um veículo; ele foi contido por um motorista logo após o ato. Apesar de apresentar sinais de surto mental, a polícia não descarta sua participação em um esquema organizado. Ele admitiu: "Eu taquei, mano". A defesa não foi localizada para comentar.
Outro indivíduo detido é Everton de Paiva Balbino. Ele foi identificado como o motorista de um carro vermelho que bloqueou um ônibus próximo ao aeroporto de Congonhas no dia 27 de junho, forçando-o a frear bruscamente. Após essa manobra, Everton estacionou com o pisca-alerta ligado e atirou uma pedra contra uma passageira do ônibus, causando múltiplas fraturas faciais na vítima e potencial risco à sua vida. Ele foi indiciado por tentativa de homicídio e sua defesa também não foi encontrada para se manifestar sobre o caso.