A desistência da missão oficial ocorreu após embates entre vereadoras e críticas ao uso de verba pública
Marina Roveda Publicado em 27/08/2025, às 18h38
A Câmara Municipal de São Paulo arquivou a proposta de enviar quatro vereadores a Nova York, nos Estados Unidos, em uma missão oficial de nove dias que seria custeada com verba pública. A desistência ocorreu após forte repercussão negativa e uma briga em plenário entre as vereadoras Janaína Paschoal (PP) e Zoe Martínez (PL).
O requerimento, apresentado pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), previa encontros com representantes da Prefeitura de Nova York, parlamentares locais e gestores da Times Square, além de visitas técnicas. Segundo ele, o objetivo era discutir segurança pública, urbanismo e turismo. Diante da saída de colegas da comitiva, Nunes retirou a proposta da pauta.
A polêmica ganhou força depois de embates entre Janaína e Zoe. Contrária ao uso de recursos públicos para a viagem, Janaína comemorou o cancelamento e afirmou que “a Câmara ganhou em transparência” com o episódio. Já Zoe lamentou a desistência e culpou os “ataques da Janaína” por inviabilizarem a missão.
Outros dois vereadores, Silvia Ferraro (PSOL) e Gabriel Abreu (Podemos), também anunciaram que não participariam. Ambos citaram o custo elevado para os cofres públicos como motivo da retirada. Além da viagem a Nova York, outras agendas internacionais de vereadores paulistanos estão previstas. Um grupo de seis parlamentares mantém a programação para a China em setembro, enquanto a ida de 11 vereadores à COP 30, em Belém, enfrenta entraves por causa do alto preço da hospedagem.
Levantamento da TV Globo e do g1 mostra que, desde janeiro, vereadores da capital já solicitaram 21 viagens oficiais — oito delas com custos pagos pela Câmara. No total, as ausências somam 97 dias de afastamento remunerado. Entre os exemplos, estão a ida de Sansão Pereira (Republicanos) a um fórum de três dias em Orlando, nos EUA, com licença de 11 dias, e a de Kenji Ito (Podemos), que pediu 10 dias para participar de um festival de cultura pop na Coreia do Sul.
De acordo com a Câmara, as missões fazem parte das atribuições parlamentares e devem ter pertinência com o mandato. Quando autorizadas, as viagens custeadas pelo Legislativo incluem passagens e diárias que variam de R$ 954 a R$ 1,3 mil no Brasil e entre US$ 320 e US$ 550 no exterior.