Pacaraima se torna porta de entrada e concentra milhares de pedidos de refúgio
Erika Osti Publicado em 05/01/2026, às 18h53
O Brasil encerrou 2025 com um recorde de pedidos de refúgio e a confirmação de que a crise humanitária na Venezuela continua a impactar fortemente o país. Segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em parceria com o Ministério da Justiça, foram 7.882 solicitações aprovadas ao longo do ano, das quais 7.228 foram de venezuelanos, o que representa 92% do total.
A maior parte das solicitações se concentrou em estados da região Norte. Roraima respondeu por 81% dos pedidos (5.863), seguido pelo Amazonas com 8% (583). A cidade de Pacaraima (RR), que faz fronteira direta com Santa Helena de Uairén, na Venezuela, foi o principal ponto de entrada, registrando 4.000 pedidos de refúgio em 2025, mais da metade do total nacional.
O segundo país com mais solicitações foi o Afeganistão, com apenas 104 pedidos aprovados, o que corresponde a 1,3% do total. Outros países como Cuba, Haiti e Colômbia aparecem em números bem menores, reforçando a predominância absoluta dos venezuelanos no fluxo migratório.
De acordo com o relatório Refúgio em Números, divulgado pelo Ministério da Justiça, o Brasil reafirma seu compromisso com a acolhida humanitária, destacando políticas públicas voltadas para migrantes e refugiados. O documento ressalta que o país tem buscado ampliar parcerias com organismos internacionais e fortalecer a integração social e econômica dos refugiados.
Nos últimos dez anos, o Brasil recebeu quase meio milhão de pedidos de refúgio, sendo a maioria de venezuelanos. O pico ocorreu em 2019, com mais de 82 mil solicitações, mas os números seguem elevados, mostrando que o fluxo migratório continua intenso.
A presença de milhares de venezuelanos em território brasileiro tem transformado cidades como Boa Vista e Pacaraima, que convivem diariamente com os desafios da acolhida, desde a pressão sobre serviços públicos até a necessidade de políticas de integração. Para o governo, os dados de 2025 reforçam a urgência de manter ações coordenadas entre União, estados e municípios para garantir dignidade e oportunidades a quem busca refúgio.