O MP da Venezuela libertou 956 manifestantes presos após protestos contra a reeleição de Maduro, em meio a acusações de abusos e falta de reconhecimento internacional
Marina Milani Publicado em 25/12/2024, às 19h56
O Ministério Público da Venezuela confirmou a libertação de 956 indivíduos que haviam sido detidos durante as manifestações contra a reeleição do presidente Nicolás Maduro. Essas detenções ocorreram após a declaração da vitória de Maduro em um controverso pleito que lhe garante um terceiro mandato de seis anos. Ao todo, mais de 2.400 manifestantes foram presos, enfrentando acusações sérias como terrorismo e incitação ao ódio, e muitos deles foram levados para unidades prisionais de segurança máxima.
A divulgação das liberações foi feita pouco antes do Natal, em resposta aos apelos incessantes de familiares e amigos dos detidos, que realizaram vigílias e protestos nas semanas anteriores. Na última sexta-feira (20), foram revogadas 200 prisões, somando-se a 179 liberações ocorridas ao longo da semana anterior e outras 300 desde o mês de novembro.
Os protestos tiveram início após a oposição, encabeçada por María Corina Machado, alegar que o candidato Edmundo Gonzales havia vencido as eleições. A vitória de Maduro não é reconhecida por importantes atores internacionais, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e diversos países latino-americanos. Organizações não governamentais e familiares dos manifestantes detidos relataram que muitos foram presos sem mandados judiciais e expuseram casos alarmantes de maus-tratos e torturas durante o encarceramento.
A atual situação na Venezuela permanece como um foco de tensão no cenário internacional, com a comunidade global atenta às evoluções políticas e sociais no país. As recentes liberações podem ser interpretadas como uma tentativa do governo de suavizar as críticas, mas as denúncias de abusos e a falta de reconhecimento internacional das eleições mantêm um ambiente de incerteza e instabilidade. A oposição e grupos defensores dos direitos humanos continuam a exigir maior transparência e justiça, enquanto o governo busca solidificar sua posição frente a pressões internas e externas.