A presidente da Comissão Europeia destacou a preparação da UE para contramedidas caso as negociações não avancem
Gabriela Thier Publicado em 13/07/2025, às 16h08
A União Europeia (UE) decidiu prorrogar a suspensão das medidas retaliatórias contra o aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos até o início de agosto, com a intenção de buscar uma solução negociada para as relações comerciais com Washington. A informação foi divulgada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, neste domingo (13).
A declaração da líder europeia ocorreu logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado implementar uma tarifa de 30% sobre as importações provenientes da União Europeia a partir de 1º de agosto. Essa nova tarifa seria aplicada independentemente das tarifas setoriais já em vigor, apesar das negociações intensivas que ocorreram nos últimos meses.
Em sua coletiva, von der Leyen destacou que o bloco continuará se preparando para novas contramedidas, afirmando que "estaremos totalmente preparados" caso a situação não evolua favoravelmente. Ela anunciou que um primeiro pacote de medidas retaliatórias às tarifas americanas sobre aço e alumínio, avaliadas em 21 bilhões de euros (aproximadamente 24,6 bilhões de dólares) em produtos americanos, foi suspenso em abril por um período de 90 dias para facilitar as negociações.
A suspensão inicial está prestes a expirar nesta segunda-feira. Um segundo pacote de contramedidas está em desenvolvimento desde maio e poderá afetar produtos americanos no valor de 72 bilhões de euros; no entanto, os detalhes dessas medidas ainda não foram divulgados e dependem da aprovação dos Estados-membros da UE.
Von der Leyen também mencionou que o uso do Instrumento Anticoerção da UE não está atualmente em discussão. "Este instrumento foi criado para situações extraordinárias e ainda não chegamos lá", afirmou. Esse mecanismo permite ao bloco impor retaliações contra países que exerçam pressão econômica sobre os membros da UE para que alterem suas políticas.
As potenciais contramedidas poderiam incluir restrições ao acesso ao mercado europeu para bens e serviços, além de outras ações econômicas relacionadas a investimento estrangeiro direto e controles de exportação. Até agora, o presidente Trump já enviou pelo menos 25 notificações aos seus parceiros comerciais sobre suas intenções.
Em uma carta endereçada a Ursula von der Leyen, Trump enfatizou que a correspondência reflete a "força e compromisso" dos Estados Unidos em manter as relações comerciais com a Europa, mesmo diante dos déficits comerciais enfrentados pelo país. Na carta, ele criticou as políticas tarifárias e não tarifárias da UE como responsáveis pelos déficits comerciais prolongados e indicou que a relação entre as partes não é recíproca.
Além da tarifa proposta de 30%, Trump também informou que os produtos reexportados para outros países estariam sujeitos à nova taxa elevada e solicitou uma maior abertura dos mercados europeus para produtos americanos. Esta movimentação ocorre após sinais positivos nas negociações entre os EUA e a UE, com expectativas de que um acordo bilateral seja alcançado antes do início de agosto, envolvendo concessões em setores-chave como aviação, equipamentos médicos e bebidas alcoólicas.