Guerra

Ucrânia realiza ataque a bombardeiros russos em meio a novas negociações de paz

Com pressão dos EUA, as partes tentam avançar nas conversas, mas divergências ainda dificultam negociações

Com pressão dos EUA, as partes tentam avançar nas conversas, mas divergências ainda dificultam negociações - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 02/06/2025, às 14h50

Um ataque aéreo significativo realizado pela Ucrânia contra bombardeiros estratégicos russos, capazes de portar armas nucleares, ofuscou o início de uma nova rodada de negociações de paz, marcando o segundo encontro direto entre as partes desde 2022. As discussões começaram nesta segunda-feira (2) em Istambul.

O clima na Rússia estava tenso e repleto de indignação no momento em que as negociações se iniciaram, com pedidos de retaliação a Ucrânia, que no domingo (1º) executou um dos ataques mais ousados do conflito, mirando bombardeiros de longo alcance localizados na Sibéria e em outras regiões.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, se dirigiu às delegações russa e ucraniana durante o encontro no luxuoso Palácio Ciragan, situado às margens do Bósforo. "Os olhos do mundo estão voltados para os contatos aqui", afirmou Fidan, expressando esperança de que a reunião resultasse em avanços concretos rumo à paz.

Ele ressaltou que o propósito da reunião era avaliar as condições para um possível cessar-fogo, discutir um encontro entre os presidentes da Rússia e da Ucrânia e explorar novas possibilidades para a troca de prisioneiros. As delegações deverão expor suas distintas visões sobre como um cessar-fogo completo poderia ser estabelecido e quais caminhos poderiam levar a uma paz duradoura.

A pressão por resultados também vem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que alertou que os EUA poderiam reconsiderar seu papel como mediadores caso não haja avanços nas negociações.

O atraso no início das conversações foi inexplicável, já que estavam programadas para começar às 7h (horário de Brasília), mas foram adiadas por quase duas horas. O chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, informou que a Rússia havia recebido anteriormente um esboço do memorando ucraniano sobre um acordo de paz.

A Rússia anunciou que apresentaria sua própria proposta durante as negociações, além de sugerir um cessar-fogo cujos detalhes ainda não foram especificados. O ministro da Defesa da Ucrânia, Rustem Umerov, lidera a delegação ucraniana, a qual conta com membros vestindo uniformes militares.

A última rodada de negociações em Istambul ocorreu em 16 de maio e resultou na maior troca de prisioneiros do conflito até então, com mil prisioneiros libertados por cada lado. No entanto, não houve sinais claros de progresso em direção à paz ou ao estabelecimento de um cessar-fogo duradouro, já que ambas as partes apenas reafirmaram suas posições iniciais de negociação, que permanecem amplamente divergentes.

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