Após tribunal anular parte do tarifaço, presidente dos EUA anuncia que vai usar novos instrumentos legais para voltar a taxar importações.
Redação Publicado em 23/02/2026, às 11h59
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar publicamente a Suprema Corte dos Estados Unidos após a decisão que derrubou a maior parte das tarifas comerciais impostas por seu governo.
Em publicação nas redes sociais, Trump classificou o julgamento como “ridículo, estúpido e extremamente divisivo” e afirmou que, apesar da derrota judicial, ganhou “mais poder” para agir contra parceiros comerciais.
O que a Suprema Corte decidiu
Na sexta-feira (20), por 6 votos a 3, o principal tribunal americano decidiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o presidente a impor tarifas amplas e unilaterais da forma como vinha sendo feita.
Com isso, foram anuladas as chamadas tarifas “recíprocas”, consideradas peça central da política comercial do governo.
A decisão limitou o uso da legislação emergencial para justificar a taxação generalizada de produtos importados.
Nova estratégia tarifária
Mesmo após a decisão, a Casa Branca anunciou uma nova tarifa global, inicialmente de 10%, elevada para 15%, com previsão de entrada em vigor nesta terça-feira (24).
Para isso, Trump passou a recorrer a outros instrumentos legais, como a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas temporárias por até 150 dias, e à Seção 301, usada para investigar práticas comerciais consideradas desleais.
A nova tarifa terá exceções para produtos do Canadá e do México dentro do acordo USMCA, além de alguns alimentos, medicamentos, energia, minerais críticos e determinados eletrônicos.
As tarifas sobre aço e alumínio permanecem em vigor.
Discurso de confronto
Trump também criticou os ministros da Corte, afirmando que a decisão favoreceu outros países em detrimento dos interesses americanos.
Em tom duro, disse que o tribunal “fez um grande trabalho para as pessoas erradas” e deveria se envergonhar, destacando apenas três ministros que votaram contra a derrubada das tarifas.
A nova rodada de tensão amplia o embate entre Executivo e Judiciário e reacende incertezas no comércio internacional.