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Trump perdoa ex-presidente de Honduras preso por tráfico e ameaça cortar ajuda antes de eleição

Com eleições se aproximando, Trump condiciona ajuda americana à vitória de seu candidato preferido em Honduras

Trump critica adversários de Asfura, alegando que suas vitórias beneficiariam o narcotráfico e o regime venezuelano - Foto: Reuters

Redação Publicado em 29/11/2025, às 09h27

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agitou o cenário político de Honduras nesta sexta-feira (28), ao perdoar o ex-líder hondurenho Juan Orlando Hernández, que foi condenado por tráfico de drogas. Além de conceder o indulto, Trump também se intrometeu nas eleições que acontecem no próximo domingo (30), avisando que vai reduzir a ajuda financeira ao país caso o seu candidato preferido não vença a disputa.

Essa decisão de perdoar Hernández foi divulgada por Trump em suas redes sociais. O ex-presidente de Honduras estava cumprindo uma pena de 45 anos nos EUA. A notícia do perdão ocorre em um momento delicado, em meio a uma movimentação militar intensa dos Estados Unidos no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, que, segundo Washington, visa combater o narcotráfico na região. Desde setembro, as forças americanas já atacaram mais de 20 embarcações e causaram a morte de pelo menos 83 pessoas em águas internacionais.

Julgamento e a condenação de Hernández

A condenação de Juan Orlando Hernández, em março de 2024, foi resultado de um julgamento com júri em Nova York. Ele foi considerado culpado por facilitar o envio de centenas de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. A rota usada para o tráfico passava por Honduras, trazendo cargas principalmente da Colômbia e da Venezuela. A Justiça americana apontou que esses atos ilícitos começaram em 2004, antes mesmo dele assumir a presidência.

Hernández comandou Honduras por dois mandatos, de 2014 a 2022. Ele foi entregue aos Estados Unidos poucas semanas após deixar o cargo, quando Xiomara Castro assumiu a liderança do país.

Em sua rede social, a Truth Social, Trump defendeu o ex-presidente hondurenho, alegando que ele foi "tratado de forma muito dura e injusta", de acordo com pessoas que ele "respeita". No entanto, após a sentença no ano passado, o então procurador-geral de Joe Biden, Merrick Garland, havia declarado que Hernández "abusou de seu poder para apoiaruma das maiores e mais violentas conspirações de narcotráfico do mundo".

Ameaça de corte de ajuda
 
Trump deixou claro que apoia o candidato Nasry Asfura, do Partido Nacional, o mesmo de Hernández. "Se ele não ganhar, os Estados Unidos não vão mais desperdiçar dinheiro, porque um líder errado só pode trazer resultados catastróficos a um país, seja qual for", escreveu Trump, fazendo uma ameaça direta à assistência externa que Honduras recebe.

Asfura, que tem 67 anos e é um empresário do setor de construção civil, além de ex-prefeito da capital hondurenha, está em uma disputa apertada. Ele enfrenta a advogada Rixi Moncada, do Partido Livre (o partido da atual presidente), e o apresentador de TV Salvador Nasralla, do Partido Liberal.

Após a declaração de Trump, Asfura garantiu à agência de notícias AFP que não tem "nenhuma ligação" com Hernández. "Ele foi presidente da República. O partido não se responsabiliza por ações pessoais", disse Asfura por telefone.

Críticas aos adversários

O ex-presidente americano não poupou críticas aos outros candidatos. Ele acusou Nasralla, que tem 72 anos, de concorrer apenas para retirar votos de Asfura. Trump lembrou que Nasralla já foi vice de Xiomara Castro antes de pedir demissãoe que "agora finge ser anticomunista apenas para dividir o voto".

Trump também atacou Moncada, que é aliada da atual presidente, chamando-a de "comunista". Ele afirmou que uma vitória dela seria um triunfo para o presidente venezuelano Nicolás Maduro "e seus narcoterroristas".

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