Presidente dos EUA optou por revogar a licença da Chevron na Venezuela, uma das principais empresas petrolíferas norte-americanas
William Oliveira Publicado em 27/02/2025, às 12h14
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou nesta quarta-feira (26) a decisão de revogar a licença da Chevron na Venezuela, uma das principais empresas petrolíferas norte-americanas. A medida entrará em vigor no dia 1º de março e impedirá a companhia de expandir suas operações no país sul-americano, incluindo a exportação de petróleo bruto para os EUA, que até então ocorria devido à flexibilização das sanções impostas à Venezuela.
Segundo Trump, a mudança foi motivada pelas circunstâncias do processo eleitoral na Venezuela e pela política de deportação de imigrantes adotada pelos EUA. "O regime [venezuelano] não está cumprindo com o retorno dos criminosos violentos que concordaram em enviar de volta para o nosso país no ritmo prometido", escreveu Trump em uma plataforma social.
No final de 2022, o governo do ex-presidente Joe Biden havia concedido permissões especiais à Chevron, permitindo um aumento significativo de sua presença econômica na Venezuela e ajudando a reverter parte da crise enfrentada pelo país.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou severamente a decisão de Trump, qualificando-a como prejudicial e sem justificativa. Em uma publicação nas redes sociais, Rodríguez argumentou que tais ações não apenas afetam os venezuelanos, mas também impactam negativamente as empresas americanas.
"Essas medidas falidas impulsionaram a migração entre 2017 e 2021, resultando em consequências amplamente conhecidas. A Venezuela continuará sua trajetória de recuperação econômica com total respeito à sua soberania", enfatizou.
Desde agosto de 2017, a Venezuela enfrenta sanções impostas unilateralmente pelos Estados Unidos e pela União Europeia, afetando gravemente os setores financeiro, petrolífero e mineral do país. Essas restrições contribuíram para uma grave crise econômica e resultaram na emigração de cerca de 7 milhões de venezuelanos nos últimos anos.
A oposição venezuelana vinha solicitando ao governo americano que revogasse a autorização da Chevron como forma de pressionar o governo de Nicolás Maduro, acusado de fraudar as eleições presidenciais marcadas para julho de 2024. A líder oposicionista María Corina Machado declarou que essa decisão "envia uma mensagem clara sobre as dificuldades enfrentadas por Maduro e demonstra que Trump está ao lado do povo venezuelano". Machado comentou sobre a revogação durante uma entrevista ao canal de Donald Trump Jr.
Com a recente reeleição em janeiro deste ano, Donald Trump designou Richard Grenell como seu emissário especial para Caracas, visando estabelecer um diálogo com Maduro. Havia expectativas de que o novo governo mantivesse uma relação mais estável com o presidente venezuelano, ao contrário da abordagem mais agressiva adotada durante seu primeiro mandato, quando implementou uma política de máxima pressão contra o regime chavista.
Na última semana, Grenell mencionou em entrevista ao The Epoch Times que Trump não tinha intenções de promover mudanças de regime nesta nova fase.