Reunião teve tensão entre os líderes e colocou dúvidas sobre entendimento entre EUA e Ucrânia
Manoela Cardozo Publicado em 01/03/2025, às 08h00
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reuniram na última sexta-feira (28) na Casa Branca, em Washington, para discutir a guerra na Ucrânia e um possível acordo sobre minerais de terras raras. No entanto, a conversa tomou um rumo tenso, com os dois líderes elevando o tom e trocando acusações.
Durante a parte final da reunião, Zelensky criticou o presidente russo, Vladimir Putin, alegando que ele não tem intenção real de encerrar o conflito. Além disso, o líder ucraniano acusou Trump de ser menos rigoroso nas negociações com a Rússia e sugeriu que os Estados Unidos poderiam sofrer as consequências da guerra no futuro. "Você não sente isso [os efeitos da guerra], porque tem um oceano te protegendo, mas um dia você sentirá", declarou o presidente da Ucrânia.
Trump rebateu as falas e voltou a mencionar o descontentamento de Zelensky com a condução das negociações de paz, ressaltando que a Ucrânia não está em uma posição vantajosa no conflito. "Seu país está em grandes apuros, sei que você não está vencendo", disse o presidente dos EUA. "Você não está em posição de nos ditar. Estamos tentando resolver esse problema." O norte-americano também pressionou Zelensky a aceitar um acordo com a Rússia, alertando que, caso contrário, os Estados Unidos deixarão de se envolver no conflito. Segundo Trump, o líder ucraniano estaria "apostando com a vida de milhões de pessoas", o que poderia levar a uma terceira guerra mundial.
Apesar da troca de farpas, Zelensky demonstrou disposição para ceder em alguns pontos, como no acordo envolvendo a exploração de minerais de terras raras em território ucraniano. Esses recursos são essenciais para diversas indústrias, incluindo tecnologia, energia limpa e medicina nuclear. Inicialmente, Trump pretendia garantir a exploração de aproximadamente 500 bilhões de dólares em minerais, mas a proposta foi rejeitada por Zelensky, levando Washington a recuar na exigência. Ainda assim, o governo dos EUA vê o acordo como uma compensação pelo apoio financeiro e militar enviado a Kiev nos últimos três anos.
Trump, que já demonstrava insatisfação com os altos valores destinados à Ucrânia, destacou a intenção de utilizar os minerais em setores estratégicos, como inteligência artificial e defesa militar. Segundo o Instituto Kiel, os Estados Unidos destinaram cerca de 114 bilhões de dólares à Ucrânia desde o início do conflito, sendo 64 bilhões para ajuda militar.
Embora houvesse expectativa de um acerto formal sobre os minerais durante a reunião, o clima tenso entre Trump e Zelensky colocou dúvidas sobre o fechamento do acordo. O entendimento sobre os recursos era visto como uma tentativa de aliviar as tensões entre os dois países, que se intensificaram nas últimas semanas após as declarações públicas dos dois líderes.