Acordo com Irã

Trump diz que acordo com o Irã será “excelente” ou não acontecerá

Presidente dos EUA voltou a criticar pacto firmado no governo Obama enquanto negociações sobre programa nuclear iraniano seguem em andamento

Presidente dos EUA afirma que novo pacto deve ser oposto ao JCPOA de 2015, que ele considera um desastre - Imagem: Reprodução/Creative Commons

Letícia Sales Publicado em 25/05/2026, às 11h12

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (25) que as negociações entre Washington e o Irã só avançarão caso resultem em um acordo considerado “excelente e significativo” pelo governo americano.

Em publicação feita na rede Truth Social, Trump voltou a criticar o acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo de Barack Obama e declarou que qualquer novo entendimento será completamente diferente do antigo pacto.

“O acordo com o Irã será ótimo e significativo, ou não haverá acordo. Será exatamente o oposto do desastre do JCPOA negociado pelo governo Obama, que representou um caminho direto e aberto para o Irã obter armas nucleares”, escreveu o presidente.

Imagem: Reprodução/Rede Social Truth

 

O chamado JCPOA, assinado em 2015, previa limitações ao programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções econômicas impostas ao país. No entanto, Trump retirou os Estados Unidos do acordo em 2018, classificando o pacto como “defeituoso”.

Após a saída americana, o governo iraniano ampliou os níveis de enriquecimento de urânio, elevando a tensão diplomática entre os dois países.

Mesmo com declarações públicas de otimismo por parte de Trump, representantes dos dois governos têm adotado cautela sobre um possível avanço imediato nas negociações.

No último sábado (23), o presidente americano afirmou que Washington e Teerã já haviam “negociado em grande parte” um memorando de entendimento relacionado ao acordo de paz e à reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás natural.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que o país não pretende cobrar pedágio pela passagem de embarcações no estreito, mas ressaltou que “é normal que os serviços prestados tenham um preço”.

Entre os principais impasses das negociações estão as exigências ligadas ao programa nuclear iraniano, a retirada de sanções econômicas, o destino do estoque de urânio enriquecido e os conflitos envolvendo grupos apoiados pelo Irã no Oriente Médio.

Segundo autoridades americanas, o governo iraniano teria aceitado, em princípio, discutir medidas relacionadas ao urânio altamente enriquecido e à segurança marítima na região.

Um funcionário do governo dos Estados Unidos, que falou sob condição de anonimato, afirmou que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, teria apoiado o esboço geral das negociações.

Ainda segundo integrantes do governo americano, a proposta atual prevê um prazo de até 60 dias para que os negociadores tentem chegar a um acordo definitivo.

Fontes iranianas também indicaram à agência Reuters que existem discussões sobre possíveis soluções técnicas para reduzir o estoque de urânio enriquecido do país sob supervisão internacional.

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