Presidente classificou apresentação como “bagunça” e atacou identidade latina do artista em meio a tensão sobre imigração
Letícia Sales Publicado em 09/02/2026, às 09h27
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente a apresentação de Bad Bunny no Super Bowl, realizada neste domingo (8), no Levi’s Stadium, na Califórnia. Em publicação nas redes sociais, o republicano não citou o nome do cantor, mas chamou o show de “absolutamente terrível” e afirmou que a performance não representaria os valores do país.
“Um dos piores de todos os tempos. Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América”, escreveu Trump. O presidente também atacou a linguagem e a dança do artista porto-riquenho, afirmando que “ninguém entende uma palavra” do que ele diz e classificando a coreografia como “repugnante”.
A apresentação ocorreu durante a final da liga de futebol americano, um dos eventos de maior audiência da televisão norte-americana, com mais de 100 milhões de espectadores apenas nos Estados Unidos. Antes mesmo de subir ao palco, o anúncio de Bad Bunny já havia provocado reações negativas de apoiadores de Trump, que chegaram a organizar uma programação paralela em protesto.
Conhecido por seu posicionamento político, Bad Bunny nunca escondeu o engajamento em causas sociais e a defesa da identidade latina. Em 2019, o artista interrompeu uma turnê para participar de protestos contra o então governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, ao lado de outros nomes importantes da música porto-riquenha.
Ao longo da carreira, o cantor manteve o espanhol como idioma principal de suas músicas e consolidou um estilo fortemente ligado ao reggaeton e ao trap latino, sem adaptar sua identidade cultural para o mercado norte-americano. Essa postura o transformou em um dos principais porta-vozes da comunidade latina nos Estados Unidos.
A polêmica acontece em um momento de forte tensão política no país, marcado por protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) após mortes relacionadas a operações da agência. Apesar de declarações anteriores do governo indicando reforço de segurança com agentes de imigração, a NFL negou qualquer participação do órgão durante o evento.
Mesmo tradicionalmente tratado como entretenimento neutro, o Super Bowl volta a ser palco de disputas simbólicas e políticas, refletindo o atual clima de divisão nos Estados Unidos, especialmente quando artistas com forte discurso social ocupam o centro do espetáculo.