Presidente dos Estados Unidos afirma que entendimento pode ser formalizado nos próximos dias, mas governo iraniano pede cautela sobre cronograma
Julio Cezar Souza Publicado em 13/06/2026, às 15h11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que um acordo para encerrar o conflito envolvendo Washington e Teerã poderá ser assinado amanhã (14). Em publicação nas redes sociais, o republicano declarou que o entendimento representará um passo decisivo para impedir que o Irã desenvolva armamento nuclear e permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de petróleo.
Segundo Trump, as negociações avançaram significativamente e há expectativa de cooperação futura entre os Estados Unidos, o Irã e outros países do Oriente Médio. O presidente também mencionou que, em uma etapa posterior, materiais relacionados ao programa nuclear iraniano seriam recolhidos e eliminados sob supervisão internacional.
O tema ganhou força após declarações do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que afirmou que as partes chegaram a um entendimento sobre os principais termos de um acordo de paz. De acordo com ele, os preparativos para a formalização do documento já estariam em andamento, com discussões técnicas previstas para os próximos dias.
Apesar do otimismo demonstrado por autoridades americanas e paquistanesas, o governo iraniano adotou tom mais cauteloso. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmail Baghaei, afirmou que ainda não há uma data definida para a assinatura do memorando de entendimento e descartou a possibilidade de formalização imediata.
Informações divulgadas por veículos internacionais apontam que o texto em discussão incluiria um novo cessar-fogo temporário, a retomada da navegação comercial no Estreito de Ormuz e mecanismos para aliviar parte das sanções econômicas impostas ao Irã. Em contrapartida, Teerã assumiria compromissos relacionados ao seu programa nuclear.
Existem, porém, divergências sobre os detalhes do acordo. Enquanto fontes ligadas ao governo norte-americano indicam que o programa nuclear iraniano deverá ser desmontado, a imprensa estatal do Irã sustenta que o país pretende preservar seu direito de enriquecer urânio e manter influência sobre a região de Ormuz.
As negociações ocorrem após semanas de tensão militar. Recentemente, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques na região do Golfo Pérsico, mesmo durante um período de cessar-fogo. A escalada foi intensificada após a queda de um helicóptero militar americano próximo ao Estreito de Ormuz, episódio que desencadeou novas ações militares dos dois lados.
Embora ainda existam divergências sobre os termos finais, representantes dos governos envolvidos têm sinalizado que as conversas avançaram e que um entendimento definitivo nunca esteve tão próximo. Caso seja concretizado, o acordo poderá representar uma das mais importantes iniciativas diplomáticas na região nos últimos anos.