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Tensões entre EUA e África do Sul: acusações de Trump e respostas de Ramaphosa

Ramaphosa defende democracia e reitera que violência afeta todos os cidadãos

Ramaphosa defende democracia e reitera que violência afeta todos os cidadãos - Imagem: Reprodução / X / @Chante_Poppie

Gabriela Thier Publicado em 22/05/2025, às 19h27

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez sérias acusações contra o governo da África do Sul, alegando que este estaria confiscando terras de proprietários brancos e promovendo políticas discriminatórias. Além disso, ele criticou a postura da nação africana em relação à política externa americana.

Em um encontro recente com seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, Trump trouxe à tona uma agenda voltada para comércio e colaboração tecnológica, embora as relações entre os dois países tenham se deteriorado nos últimos meses, marcadas por diversas tensões diplomáticas.

Em fevereiro, o presidente americano decidiu suspender todo o financiamento destinado à África do Sul, através de uma ordem executiva. Essa decisão foi motivada pela alegação de que o governo de Ramaphosa estaria apoiando inimigos dos Estados Unidos, incluindo o Irã e o grupo Hamas.

A reunião no Salão Oval teve um início cordial, com Trump descrevendo Ramaphosa como "um homem verdadeiramente respeitado em muitos círculos". Contudo, o tom se alterou quando Trump apresentou um vídeo polêmico que mostrava Julius Malema, líder da oposição sul-africana, cantando uma música controversa com referências explícitas à violência contra fazendeiros brancos.

"É algo terrível, nunca vi nada parecido", afirmou Trump durante a exibição do material, enfatizando que "estão matando essas pessoas" e utilizando o termo "genocídio" para descrever a situação.

O presidente Ramaphosa parecia visivelmente desconfortável com as alegações feitas por Trump e defendeu a democracia sul-africana. Ele ressaltou que a criminalidade afeta igualmente brancos e negros no país. Além disso, reiterou que Malema e seu partido não fazem parte do governo atual e que suas declarações não refletem a política oficial da África do Sul.

Quando questionado sobre a origem do vídeo apresentado por Trump, Ramaphosa respondeu que desconhecia sua procedência. O presidente americano insistiu que a gravação era realmente da África do Sul.

Além disso, Trump mostrou notícias falsas sobre assassinatos de cidadãos brancos no país africano e afirmou que muitos estariam abandonando suas terras devido à insegurança crescente. Ele declarou: "Suas terras estão sendo confiscadas e, em muitos casos, eles estão sendo mortos". O presidente americano fez referência específica a casos em que fazendeiros brancos foram assassinados durante processos de desapropriação.

Embora Ramaphosa tenha reconhecido que houve casos de assassinato de fazendeiros brancos na África do Sul, ele argumentou que esses incidentes representam uma pequena parcela do total de crimes registrados no país. Quanto à questão das desapropriações de terras, destacou que uma lei aprovada em 2024 permite ao governo confiscar propriedades sem compensação para fins públicos.

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