País africano já registra mais de 250 mortes; resistência à testagem, deslocamentos forçados e falta de saneamento dificultam o controle da doença.
Redação Publicado em 22/06/2026, às 10h53
A República Democrática do Congo enfrenta uma das situações sanitárias mais delicadas dos últimos anos. O país ultrapassou a marca de mil casos confirmados de ebola, chegando a 1.003 infecções e 254 mortes, segundo dados divulgados pelas autoridades locais neste domingo (21).
O avanço da doença preocupa organizações internacionais, especialmente após a confirmação da morte de uma bebê de apenas seis meses, enterrada na última sexta-feira (19). O caso reforçou o alerta sobre a circulação silenciosa do vírus em áreas densamente povoadas e com infraestrutura precária.
O epicentro do atual surto está na província de Ituri, no leste do país, região marcada por conflitos armados e deslocamentos em massa. Somente no campo de refugiados de Kigonze, que abriga mais de 15 mil pessoas, foram registrados dez óbitos em apenas uma semana — número considerado anormal pelas autoridades locais.
Especialistas afirmam que a real dimensão do surto ainda pode ser maior. A resistência de parte da população à realização de testes, somada ao medo e à desinformação, dificulta o rastreamento dos casos e o isolamento de pacientes infectados.
Outro fator que agrava a crise é a falta de saneamento básico. No campo de Kigonze, famílias vivem em barracas improvisadas, separadas por menos de um metro, enquanto banheiros insuficientes frequentemente transbordam, aumentando o risco de disseminação do vírus.
Segundo organizações humanitárias, os cortes no financiamento internacional também comprometeram ações essenciais de abastecimento de água, construção de sanitários e medidas de higiene. Neste ano, apenas 21% dos recursos solicitados para o setor foram efetivamente liberados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) intensificou as ações no país, ampliando campanhas de conscientização, rastreamento de contatos e estratégias de vacinação. No entanto, autoridades reconhecem que controlar a transmissão será um desafio diante da precariedade estrutural e da instabilidade social vivida na região.
O ebola é uma doença viral grave transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, vômito e fezes. Os sintomas incluem febre alta, dores intensas, vômitos, diarreia e, em casos severos, hemorragias.