Exigência de visto visa restabelecer reciprocidade entre Brasil e demais países
Manoela Cardozo Publicado em 09/04/2025, às 12h27
A partir da próxima quinta-feira (10), cidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália precisam novamente de visto para entrar no Brasil. A exigência entra em vigor com o decreto do Executivo que restabelece a medida, encerrando a isenção unilateral adotada anteriormente.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a decisão foi tomada em 2023 com base no princípio da reciprocidade. Isso porque nenhum desses três países concede entrada livre a brasileiros sem a necessidade de visto. "O Brasil não concede isenção unilateral de vistos de visita", destacou o Itamaraty.
O governo brasileiro afirma que ainda mantém negociações com os países envolvidos para buscar acordos bilaterais de isenção, desde que haja reciprocidade. O ministro do Turismo, Celso Sabino, reforçou esse posicionamento ao declarar publicamente que o Brasil segue em tratativas para que os EUA deixem de exigir vistos de brasileiros, o que abriria caminho para que a exigência também fosse suspensa aqui.
A nova política impacta diretamente o setor de turismo. De acordo com dados da Embratur, só em 2024 o Brasil recebeu 728.537 visitantes norte-americanos, 96.540 canadenses e 52.888 australianos. Agora, todos esses viajantes precisarão obter visto antes de desembarcar em território brasileiro — seja por via aérea, terrestre ou marítima.
O visto deve ser solicitado por meio da plataforma online eVisa, com taxa de US$ 80,90 (cerca de R$ 479 na cotação atual). O processo inclui o preenchimento de um formulário, anexação de documentos obrigatórios — como o passaporte válido — e deve ser feito com antecedência. A estadia permitida é de até 90 dias.
Especialistas do setor alertam para possíveis impactos no fluxo turístico, sobretudo nos destinos mais procurados por estrangeiros, como Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e Salvador. A expectativa do governo é que, com avanço nas negociações diplomáticas, os acordos de isenção possam ser firmados em breve.