A operação militar, considerada uma das maiores desde a Segunda Guerra
Marina Milani Publicado em 03/01/2026, às 13h59
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (3) que o governo norte-americano passará a administrar de forma interina a Venezuela, após a ofensiva militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Em pronunciamento, Trump afirmou que a medida será temporária e terá como objetivo garantir uma transição política que, segundo ele, leve o país à “liberdade e à justiça”.
“Nós vamos administrar o país até o momento em que for possível assegurar uma transição adequada, justa e legal”, disse o presidente, ao detalhar a operação militar realizada durante a madrugada. A ação incluiu ataques aéreos e terrestres em Caracas e em outras regiões estratégicas do território venezuelano.
Trump confirmou que Maduro foi capturado por forças norte-americanas e retirado do país, sendo levado a Nova York a bordo de um navio de guerra dos Estados Unidos. Até então, o governo venezuelano afirmava desconhecer o paradeiro do líder chavista e exigia provas de que ele estivesse vivo.
No mesmo pronunciamento, Trump anunciou que petroleiras norte-americanas passarão a operar em solo venezuelano, com investimentos bilionários no setor energético. Segundo ele, empresas dos Estados Unidos irão recuperar a infraestrutura petrolífera do país, hoje em estado precário, e retomar a produção em larga escala.
“O regime socialista destruiu uma indústria que foi construída com talento e tecnologia americanos. Agora, nossas empresas vão consertar essa estrutura e voltar a gerar riqueza”, afirmou.
Trump disse ainda que os Estados Unidos terão envolvimento direto com a indústria do petróleo venezuelana, embora não tenha detalhado o modelo de atuação. Ele acrescentou que a China continuará recebendo petróleo do país sul-americano.
Ao comentar a ação, Trump descreveu a ofensiva como uma das maiores operações militares americanas desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, foram mobilizados meios aéreos, terrestres e navais em uma ação coordenada que culminou na captura do presidente venezuelano.
O presidente norte-americano revelou ainda que a operação havia sido planejada para ocorrer dias antes, mas foi adiada por condições climáticas. Em entrevista à Fox News, afirmou que chegou a conversar com Maduro dias antes da ofensiva, quando o venezuelano teria tentado negociar uma saída pacífica do poder. “Eles quiseram negociar no final, mas eu não quis”, declarou.
Trump também afirmou ter acompanhado a captura de Maduro em tempo real, por meio de transmissões feitas por agentes envolvidos na missão. “Foi como assistir a um programa de televisão”, disse.
Logo após o início dos ataques, o governo venezuelano declarou estado de comoção externa e acusou os Estados Unidos de promover uma “agressão imperialista” com o objetivo de tomar recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais.
Autoridades de Caracas afirmaram que os bombardeios atingiram áreas urbanas e instalações militares, provocando explosões, quedas de energia e pânico em bairros da capital. A vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu uma prova imediata de vida de Maduro e responsabilizou Washington por mortes de civis e militares.
O governo venezuelano também convocou países da América Latina e do Caribe a se posicionarem em solidariedade e afirmou que se reserva ao direito de exercer legítima defesa.
A escalada da crise ocorre após meses de aumento da pressão americana sobre o regime chavista. Em agosto, os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro e reforçaram a presença militar no Caribe, sob o argumento inicial de combate ao narcotráfico.
Com o passar do tempo, autoridades americanas passaram a admitir que o objetivo central seria a remoção do governo venezuelano. O interesse nas vastas reservas de petróleo do país — consideradas as maiores do mundo — também passou a ser citado por analistas e pela própria imprensa internacional.