Kremlin diz que aplicativo resistiu a exigências da legislação russa; Instagram e Facebook também teriam sido retirados do ar
Redação Publicado em 12/02/2026, às 11h30
O governo da Rússia confirmou nesta quinta-feira (12) que bloqueou o funcionamento do WhatsApp no país. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a decisão foi tomada devido à “resistência em cumprir a lei russa”.
De acordo com Peskov, o aplicativo não teria atendido às exigências impostas pela legislação local, o que motivou a medida. O bloqueio já havia sido revelado pelo jornal britânico Financial Times na quarta-feira (11).
Meta na mira do Kremlin
Além do WhatsApp, o Financial Times informou que Instagram e Facebook, também pertencentes à Meta, foram retirados de um diretório online mantido pelo órgão regulador russo Roskomnadzor.
Na prática, a exclusão dessas plataformas do sistema russo dificulta ou impede o acesso da população sem o uso de ferramentas alternativas, como VPNs.
O Kremlin não detalhou se as medidas são temporárias ou definitivas.
Resposta do WhatsApp
Em comunicado, o WhatsApp afirmou que continua tentando manter seus serviços ativos no país e classificou a decisão como um “retrocesso”.
A empresa declarou que a medida pode afetar mais de 100 milhões de usuários russos e acusou o governo de tentar direcionar a população para uma plataforma estatal.
Pressão para uso de aplicativo nacional
O bloqueio ocorre em meio à tentativa do governo russo de promover o aplicativo Max, descrito como um “super aplicativo” que reúne mensagens e serviços governamentais. O Max foi desenvolvido pela rede social russa VKontakte, ligada a aliados do presidente Vladimir Putin.
Segundo o Financial Times, diferentemente do WhatsApp, o Max não possui criptografia ponta a ponta, o que permitiria maior monitoramento das comunicações. A Rússia nega as acusações de vigilância.
Telegram e silêncio oficial
Questionado sobre o possível bloqueio do Telegram, Peskov evitou comentar e orientou jornalistas a procurarem o Roskomnadzor.
O Telegram é amplamente utilizado na Rússia, inclusive por militares e familiares de soldados envolvidos na guerra na Ucrânia.
O cofundador da plataforma, Pavel Durov, criticou a medida e afirmou que restringir a liberdade digital não é a solução.