Declaração ocorre às vésperas de negociações no Paquistão e eleva a tensão em meio a ameaças militares dos EUA
Erika Osti Publicado em 10/04/2026, às 16h37
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã nesta sexta-feira (10), às vésperas de negociações consideradas decisivas para o futuro do conflito no Oriente Médio. Em meio a um cessar-fogo frágil e cercado de incertezas, o republicano afirmou que os iranianos “só estão vivos hoje para negociar” e ameaçou usar força militar caso as conversas fracassem.
As declarações foram feitas na rede Truth Social e reforçadas em entrevistas ao longo do dia, poucas horas antes da chegada das delegações americana e iraniana ao Paquistão, onde ocorrerão reuniões de alto nível neste fim de semana. O encontro, marcado para sábado (11), é visto como uma tentativa de evitar a escalada da guerra iniciada no fim de fevereiro.
No principal recado enviado a Teerã, Trump afirmou que o Irã não tem poder real de barganha e acusou o país de usar rotas marítimas internacionais como instrumento de pressão global. Segundo ele, essa estratégia seria uma forma de “extorsão de curto prazo”. Em outra frente, o presidente americano também criticou o desempenho iraniano no conflito e disse que o país se destaca mais em comunicação do que em ações militares.
O discurso foi acompanhado de ameaças explícitas. Trump declarou que navios de guerra dos Estados Unidos estão sendo preparados com armamentos de alto poder e que poderão ser utilizados caso não haja acordo. Ele afirmou que as embarcações estão sendo equipadas com “as melhores armas já fabricadas” e indicou que uma decisão sobre o rumo das negociações pode sair em breve.
Do lado americano, a delegação será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que embarcou para Islamabad com um discurso mais moderado. Ele afirmou esperar um diálogo produtivo, mas alertou que Washington não aceitará tentativas de engano por parte do governo iraniano.
Enquanto isso, o Irã chega às negociações impondo condições claras. Autoridades iranianas condicionam o avanço do diálogo ao cumprimento de compromissos prévios, como a inclusão do Líbano no cessar-fogo e a interrupção de ataques israelenses no país. Também há exigência pela liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior.
O cenário é agravado por tensões paralelas na região. Ataques entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, continuam ameaçando a trégua e podem comprometer o avanço das negociações. Na próxima semana, representantes israelenses e libaneses devem iniciar conversas em Washington, em uma tentativa de evitar o colapso do cessar-fogo.
Apesar do ambiente hostil, diplomatas consideram que o encontro no Paquistão pode ser um ponto de virada. Ainda assim, o tom adotado por Trump indica que o caminho para um acordo segue incerto e cercado por riscos de nova escalada militar.