Advogado, empresário e figura polêmica da direita colombiana, Abelardo de la Espriella construiu fama nacional nos tribunais, criou um movimento próprio e venceu uma das eleições mais disputadas da história recente do país.
Ana Beatriz Publicado em 22/06/2026, às 11h14
A Colômbia vive uma mudança histórica em seu cenário político. O advogado e empresário Abelardo Gabriel de la Espriella Otero, conhecido nacionalmente como “El Tigre”, venceu o segundo turno das eleições presidenciais e será o próximo presidente colombiano a partir de 7 de agosto de 2026. A vitória representa uma forte guinada à direita após o governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país.
Com 49,66% dos votos, De la Espriella superou o senador Iván Cepeda, candidato apoiado por Petro, em uma disputa marcada pela polarização política, debates acalorados sobre segurança pública, economia e combate ao narcotráfico. A diferença foi de pouco mais de 250 mil votos, tornando o pleito um dos mais apertados da história recente colombiana.
Nascido em Bogotá em 31 de julho de 1978, Abelardo de la Espriella é filho de Abelardo de la Espriella Juris e María Eugenia Otero. Ainda criança, mudou-se com a família para Montería, no departamento de Córdoba, região onde cresceu e iniciou sua trajetória pessoal e profissional. Seu pai chegou a disputar cargos políticos locais, o que o aproximou desde cedo dos debates públicos e da vida política colombiana.
Formado em Direito pela Universidade Sergio Arboleda, De la Espriella especializou-se em Direito Penal, Ciências Criminológicas e Direito Administrativo. Em 2002 fundou seu próprio escritório de advocacia, a De La Espriella Lawyers Enterprise, que posteriormente expandiu operações para os Estados Unidos e se tornou uma das bancas mais conhecidas da Colômbia em casos de grande repercussão.
Ao longo da carreira, construiu fama nacional ao atuar em processos envolvendo empresários, políticos, celebridades e casos criminais de grande repercussão. Também representou vítimas em episódios que chocaram a sociedade colombiana, o que contribuiu para ampliar sua exposição pública e consolidar sua imagem de advogado combativo.
Sua trajetória, porém, também foi marcada por controvérsias. De la Espriella atuou na defesa de figuras envolvidas em escândalos políticos e financeiros, incluindo o empresário Alex Saab, aliado do regime venezuelano de Nicolás Maduro. As atuações renderam críticas de adversários e organizações ligadas à liberdade de imprensa, que apontaram supostos episódios de intimidação judicial contra jornalistas que investigavam sua atuação profissional. O agora presidente sempre negou qualquer irregularidade e sustentou que exercer a defesa jurídica não significa compartilhar das condutas atribuídas a clientes.
Além da advocacia, Abelardo também investiu em negócios privados e chegou a se aventurar no universo musical. Apaixonado pela cultura latina e italiana, lançou trabalhos musicais e participou de apresentações públicas, construindo uma imagem de personalidade multifacetada. É casado com Ana Lucía Pineda e pai de quatro filhos. Possui nacionalidade colombiana, norte-americana e cidadania italiana.
Sua entrada definitiva na política aconteceu em 2025, quando lançou o movimento Defensores de la Patria. Apresentando-se como um outsider, embora fosse figura conhecida nacionalmente, construiu uma campanha baseada em propostas de endurecimento do combate ao crime, redução do tamanho do Estado, fortalecimento da economia privada e enfrentamento direto aos grupos armados que atuam no país.
Inspirado por líderes como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, De la Espriella passou a defender medidas consideradas radicais por seus adversários, incluindo a construção de megacomplexos penitenciários, ampliação das ações militares contra grupos criminosos, retomada da exploração de petróleo e gás e redução significativa da estrutura estatal. Seu discurso encontrou forte apoio entre eleitores preocupados com o aumento da violência e o desempenho econômico da Colômbia nos últimos anos.
A campanha presidencial foi marcada por intensa polarização. Enquanto apoiadores viam em Abelardo a possibilidade de restaurar a segurança e impulsionar o crescimento econômico, críticos alertavam para riscos institucionais e para o avanço de pautas consideradas ultraconservadoras. Ainda assim, o candidato conseguiu consolidar uma ampla frente de apoio à direita e ao centro-direita, vencendo primeiro o primeiro turno e posteriormente o segundo turno presidencial.
Após a divulgação dos resultados preliminares, De la Espriella discursou para milhares de apoiadores e afirmou que governará para todos os colombianos. Em seu pronunciamento, pediu respeito às instituições, defendeu a unidade nacional e declarou o início de uma “nova era” para o país. Enquanto isso, setores ligados ao presidente Gustavo Petro contestaram o resultado e solicitaram a continuidade das verificações eleitorais durante o escrutínio oficial.
A vitória de Abelardo de la Espriella é considerada um dos acontecimentos políticos mais importantes da América Latina em 2026. Sua chegada ao poder pode redefinir a política interna colombiana, alterar a estratégia de segurança do país e reposicionar Bogotá no cenário internacional, especialmente nas relações com os Estados Unidos e governos conservadores da região.