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Qual é o impacto da vitória de Trump no Brasil?

Conforme projeção divulgada pela Associated Press, o republicano foi eleito presidente nas eleições americanas

Qual é o impacto da vitória de Trump no Brasil? - Imagem: Reprodução / Instagram / @realdonaldtrump

William Oliveira Publicado em 06/11/2024, às 09h45

Com a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, conforme projeção divulgada pela Associated Press, uma série de questões emergem quanto ao futuro das relações entre Brasil e EUA. Temas como a proteção à democracia, defesa ambiental, relações comerciais com a China e posicionamentos sobre os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio são tópicos que podem influenciar esse relacionamento bilateral, que completa 200 anos em 2023.

Em uma entrevista realizada pelo G1 com Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais e fundador do podcast Petit Journal, e Hussein Kalout, cientista político e ex-secretário de Ações Estratégicas do governo Temer, foram discutidas as implicações da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA para as relações entre Brasil e EUA.

Analisando o estilo de política externa de Trump em seu mandato anterior, Baghdadi observa uma tendência do ex-presidente em se aliar a países e líderes dispostos a aceitar sua liderança, independentemente da orientação política. Ele acredita que o presidente Lula poderia manter um diálogo pragmático com Trump, assegurando uma relação diplomática formal e respeitosa, ainda que uma inicial desconfiança possa caracterizar esse vínculo.

Em termos de apoio político, tanto Baghdadi quanto Kalout veem desafios para uma eventual candidatura petista no Brasil. Trump demonstrou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, compartilhando uma base eleitoral conservadora. Kalout alerta que qualquer questionamento ao processo democrático brasileiro poderia encontrar respaldo em Trump, algo distinto da abordagem mais neutra de Joe Biden ou Kamala Harris.

Adicionalmente, ambos os líderes enfrentam investigações relacionadas a tentativas de golpe contra a democracia em seus respectivos países, com episódios significativos ocorridos em 6 de janeiro de 2021 nos EUA e 8 de janeiro de 2023 no Brasil.

No cenário ambiental e econômico, um novo governo Trump poderia pressionar o Brasil a estreitar laços com a China devido à postura agressiva do republicano frente à potência asiática. Kalout destaca que essa mudança seria inédita na política externa brasileira. Já na questão venezuelana, Trump tem adotado críticas mais incisivas ao governo Maduro, em comparação com Biden.

Por fim, quanto à política internacional, apesar da parceria comercial significativa entre os dois países, eles não são considerados aliados militares. Diferentes abordagens na política externa podem levar a divergências sobre conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

Baghdadi conclui que é improvável que o Brasil se torne prioridade estratégica para os EUA sob qualquer administração futura, mantendo-se uma relação distante.

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