Após o roubo de joias da Coroa Francesa e diante de estruturas consideradas obsoletas, nova direção do Louvre admite necessidade urgente de investimentos bilionários para modernização e reforço da segurança.
Redação Publicado em 17/06/2026, às 11h53
O Museu do Louvre, em Paris, considerado o mais visitado do planeta e lar de algumas das obras mais importantes da história da arte, enfrenta uma das fases mais delicadas de sua trajetória recente. O novo presidente da instituição, Christophe Leribault, afirmou que o museu está “no limite” e necessita de investimentos bilionários para modernizar suas estruturas e fortalecer seus sistemas de segurança.
O alerta foi feito durante uma audiência no Senado francês, onde Leribault descreveu um cenário de desgaste acumulado após décadas de intensa utilização. Segundo ele, apesar da imponência do prédio e do trabalho diário das equipes, os equipamentos e as infraestruturas do Louvre estão chegando ao fim de seu ciclo operacional.
A situação ganhou ainda mais relevância após o roubo de diversas joias da Coroa Francesa, ocorrido em outubro do ano passado. O episódio expôs vulnerabilidades na segurança do museu e acelerou o debate sobre a necessidade de uma ampla modernização das instalações.
Atualmente, o Louvre recebe cerca de nove milhões de visitantes por ano, número que pressiona constantemente seus espaços físicos, sistemas de monitoramento e estruturas de atendimento ao público.
Entre os projetos previstos está o ambicioso plano de renovação anunciado pelo presidente francês, Emmanuel Macron. A proposta prevê a criação de uma nova entrada para o museu e a construção de uma galeria subterrânea exclusiva para abrigar a famosa Mona Lisa, principal atração da instituição.
Somente essas duas iniciativas estão estimadas em cerca de 660 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 3,9 bilhões. O projeto completo pode ultrapassar 1 bilhão de euros, ou cerca de R$ 5,9 bilhões.
Para viabilizar os recursos, a administração aposta em doações privadas, patrocínios corporativos e receitas provenientes da parceria internacional com o Louvre Abu Dhabi, inaugurado em 2017.
Além das obras estruturais, o museu planeja implantar um novo sistema de videomonitoramento a partir de janeiro de 2027. Segundo Leribault, algumas câmeras adicionais já foram instaladas em áreas consideradas críticas, mas uma reformulação completa exigirá intervenções técnicas mais profundas.
O dirigente reconheceu que o impacto do roubo ainda é sentido internamente.
“A ferida do roubo e o trauma dos meses que se seguiram continuam muito intensos dentro do museu”, declarou.
O alerta reforça o desafio enfrentado por grandes instituições culturais em todo o mundo: preservar patrimônios históricos centenários enquanto lidam com demandas cada vez maiores de público, tecnologia e segurança.