O Boeing 737-800 da Jeju Air realizava uma rota entre a Tailândia e Muan quando, em 29 de dezembro, sofreu um acidente durante a tentativa de pouso no aeroporto local
William Oliveira Publicado em 07/01/2025, às 12h00
A investigação sobre o trágico acidente do voo 2216 da Jeju Air, que resultou na morte de 179 pessoas, continua a mobilizar esforços entre as autoridades sul-coreanas e norte-americanas. Em meio ao luto nacional, com memoriais sendo organizados em várias localidades do país, o ministro dos Transportes, Park Sang-woo, anunciou sua decisão de renunciar ao cargo nesta terça-feira (7).
O Boeing 737-800 estava realizando um trajeto entre a Tailândia e Muan, na Coreia do Sul, quando, no dia 29 de dezembro, sofreu uma queda ao tentar pousar no aeroporto local. O acidente ocorreu após o avião colidir com uma barreira de concreto, provocando uma explosão e deixando apenas duas pessoas sobreviventes entre os 181 ocupantes a bordo.
As primeiras análises feitas pelos investigadores indicaram que uma colisão com pássaros, problemas no trem de pouso e a barreira da pista podem ter contribuído para o desastre. O piloto havia sinalizado previamente a possibilidade de um impacto com aves antes da primeira tentativa de pouso. Na segunda tentativa, o avião perdeu controle quando o trem de pouso falhou.
O investigador-chefe, Lee Seung-yeol, revelou em coletiva que foram encontradas penas em um dos motores recuperados do avião, embora tenha ressaltado que a presença de aves não implica necessariamente em uma falha imediata do motor.
"É fundamental averiguar se a colisão afetou ambos os motores. É certo que um motor foi impactado", afirmou Lee.
Em decorrência das investigações, autoridades realizaram buscas em escritórios vinculados ao aeroporto onde ocorreu o acidente e na sede da Jeju Air em Seul. Além disso, foi determinado que o CEO da companhia não deixasse o país durante as apurações.
A Jeju Air comunicou que planeja suspender 188 voos internacionais partindo de Busan no primeiro trimestre do ano, como parte de uma estratégia para reforçar a segurança operacional. Essa medida segue um anúncio anterior sobre a redução das operações em 10% a 15% até março devido a preocupações relacionadas à segurança.
Em uma resposta conjunta ao desastre aéreo, partidos políticos rivais da Coreia do Sul decidiram criar uma força-tarefa colaborativa para investigar as causas do acidente, coincidindo com a renúncia do ministro Park Sang-woo.
A criação da força-tarefa ocorreu em um contexto político conturbado, que começou quando o presidente Yoon Suk Yeol decretou brevemente estado de emergência no mês passado. Em comunicado, o Partido do Poder Popular (PPP), atualmente no governo, informou que eles e o Partido Democrata concordaram em estabelecer um comitê especial para investigar as circunstâncias do acidente e oferecer apoio às famílias das vítimas.
A equipe investigativa contará com 15 membros: sete pertencentes ao partido governista, sete da oposição, além de um membro independente. O ministro Park expressou sua intenção de agir adequadamente diante dessa tragédia e destacou sua responsabilidade como líder na área de segurança da aviação.
De acordo com o porta-voz do Ministério de Terras, Infraestrutura e Transporte, as declarações feitas pelo ministro configuram sua oferta formal de renúncia.