Medindo 2,2 metros de altura, o retrato do renomado matemático britânico Alan Turing alcançou um feito inédito no mercado de arte ao ser a primeira obra criada por um robô humanoide
William Oliveira Publicado em 08/11/2024, às 09h07
Um retrato do renomado matemático britânico Alan Turing alcançou um feito inédito no mercado de arte ao ser a primeira obra criada por um robô humanoide a ser vendida em leilão. A peça, intitulada "A.I. God" e produzida pelo robô ultra-realista Ai-Da, foi arrematada por US$ 1,08 milhão, o que equivale a aproximadamente R$ 6,15 milhões, durante um evento da Sotheby's Digital Art Sale.
Medindo 2,2 metros de altura, o retrato superou significativamente as expectativas iniciais de preço, que giravam em torno de US$ 180 mil. Inicialmente, a casa de leilões divulgou um valor incorreto para a venda, anunciando R$ 7,4 milhões; contudo, a cifra foi posteriormente ajustada.
A Sotheby's destacou que esta transação representa um marco na história da arte contemporânea e ilustra a crescente fusão entre inteligência artificial e o mercado global de arte. Ai-Da, através de seu sistema de IA, declarou que sua criação tem como principal objetivo instigar debates sobre tecnologias emergentes. Ao retratar Turing, pioneiro na informática e nas ciências computacionais, a obra busca provocar reflexões sobre as consequências éticas e sociais das inovações tecnológicas.
Projetado pelo especialista em arte moderna Aidan Meller, Ai-Da é considerado um dos robôs mais avançados do mundo. Meller afirmou que a capacidade dos grandes artistas históricos de celebrar e questionar mudanças sociais encontra eco no trabalho de Ai-Da. Como uma tecnologia em si, Ai-Da oferece uma perspectiva única sobre o desenvolvimento tecnológico contemporâneo e suas implicações.
O processo criativo envolveu interações com membros do estúdio de Meller, que discutiram estilo, cor e textura antes de criar a obra. Utilizando uma fotografia de Turing posicionada diante das câmeras instaladas nos "olhos" do robô, Ai-Da produziu a pintura sob orientação técnica de especialistas das universidades de Oxford e Birmingham.
Meller observou que Turing já expressava preocupações sobre o uso da inteligência artificial na década de 1950. Ele acredita que os "tons apagados e planos faciais quebrados" do retrato refletem os desafios antecipados por Turing no contexto da gestão da IA. Descrevendo o trabalho como "etéreo e perturbador", Meller ressaltou que a criação continua a levantar questões sobre o futuro do poder da IA e a corrida global por seu domínio.