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Novo bombardeio americano mata três pessoas em barco no Caribe

ONU pede o fim imediato dos ataques e bombardeios: “execuções extrajudiciais”

A justificativa do governo Trump para os ataques é a luta contra o tráfico de drogas - Foto: Departamento de Defesa dos Estados Unidos

Redação Publicado em 02/11/2025, às 15h40

Os Estados Unidos confirmaram que realizaram um novo ataque a um barco no Mar do Caribe. A embarcação, segundo o governo americano, era usada por traficantes de drogas. A notícia veio do Secretário de Guerra, Pete Hegseth, na madrugada deste domingo (2), e traz mais dados preocupantes sobre a campanha militar em andamento na região.

No mais recente incidente, três pessoas que estavam no navio suspeito morreram. Este ataque marca o 16º barco atingido pelos EUA em pouco mais de um mês: nove no Caribe e sete no Oceano Pacífico. O balanço total dessa ofensiva, de acordo com as informações oficiais do governo americano, já é de 64 mortos.

Críticas internacionais 

As ações militares dos Estados Unidos têm gerado forte reação e preocupação internacional. Na última sexta-feira (31), a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo urgente para que o governo do Presidente Donald Trump encerre imediatamente esses ataques contra os barcos.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, não hesitou em classificar os bombardeios como "assassinatos sem julgamento" ou "execuções extrajudiciais". Em um comunicado, ele foi direto:

"Esses ataques, com seu crescente custo humano, são inaceitáveis. Os Estados Unidos devem parar com tais ataques e tomar todas as providências necessárias para evitar a morte de pessoas a bordo desses navios, mesmo que estejam envolvidas em alguma suposta atividade criminosa."

É a primeira vez que o órgão global se posiciona de maneira tão clara sobre a operação, que foi iniciada em setembro perto das costas da Venezuela e da Colômbia.

Versão dos EUA 

O governo Trump justifica a investida, que conta com grande poderio militar na América Latina, como uma "guerra" contra os cartéis de drogas latino-americanos. A operação foi determinada pelo próprio Presidente ao Pentágono, com o argumento de deter o ingresso de navios com entorpecentes no país.

No entanto, a imprensa dos Estados Unidos tem questionado a versão oficial, levantando a possibilidade de que o verdadeiro motivo da ação seja, na verdade, tentar derrubar o regime do Presidente Nicolás Maduro na Venezuela.

Essas dúvidas ganham força com um relatório recente da agência da ONU para drogas e crimes. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indica que o fentanil, a substância que mais provoca overdoses nos EUA, é proveniente do México, que fica próximo à costa oeste do país, longe da área dos ataques no Caribe e Pacífico.

Reforçando as críticas, a Venezuela acusa os EUA de tentarem uma troca de poder no país. A Colômbia também manifestou publicamente sua reprovação aos bombardeios de embarcações, e igualmente chamou as ações de "assassinatos sem julgamento".

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